O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), afirmou nesta quinta (22/5) que o Rio Grande do Sul é a “principal porta de entrada” do gás natural importado da Argentina. Em seu discurso, durante o seminário de integração gasífera regional, realizado pelo MME com autoridades e executivos sul-americanos do setor, Silveira acenou ao governador gaúcho, Eduardo Leite, que se desfiliou do PSDB após 24 anos de partido e agora é correligionário de Silveira no PSD, de Gilberto Kassab. “O potencial de fornecimento de Vaca Muerta é infinito, e temos uma indústria pujante do lado brasileiro, sedenta por gás natural a preço competitivo”. “E o estado do Rio Grande do Sul desempenha papel fundamental nesse processo. É a principal porta de entrada e corredor logístico para o fluxo do gás argentino. O projeto de conclusão do gasoduto Uruguaiana/Porto Alegre reflete o potencial de demanda de investimento existente”, pontuou. O uso da infraestrutura existente e ociosa na Bolívia faz do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) a única solução logística viável para a chegada das primeiras importações de gás argentino aos principais centros de consumo do mercado brasileiro. Mas, à medida que a integração gasífera entre Brasil e Argentina se consolide, será preciso investir em infraestrutura – nos dois países – para aumentar a capacidade de envio da produção de Vaca Muerta, na Patagônia, ao mercado brasileiro. E aí ressurge a oportunidade para conclusão da integração via Uruguaiana – um projeto iniciado há mais de duas décadas, sem ter sido, de fato, concluído.
Rio Grande do Sul compete com outras rotas
Em 2024, os governos do Brasil e Argentina anunciaram a criação de um grupo de trabalho para estudos conjuntos das alternativas de infraestruturas necessárias para interconectar os gasodutos existentes de cada país. As rotas a serem avaliadas incluem: o uso da infraestrutura existente do Gasbol; interligação via Uruguaiana; a rota pelo Chaco Paraguaio; uma nova rota pelo Uruguai até o Rio Grande do Sul; e a importação por navios de gás natural liquefeito (GNL). Hoje, a malha da Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB), em Uruguaiana (RS) é a única conexão direta brasileira à Argentina, mas o gasoduto, inacabado, distribui gás apenas na fronteira, para a UTE Uruguaiana, da Âmbar Energia. O gasoduto Uruguaiana–Triunfo, o trecho pendente de conclusão do projeto da TSB, tem cerca de 600 km de extensão e demandará investimentos bilionários. Para sair do papel, demanda hoje a assinatura de contratos de longo prazo de importação que justifiquem a sua conclusão. O Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG), publicada pela EPE em fevereiro, estimou em R$ 6,8 bilhões o projeto – sem considerar investimentos adicionais na duplicação do Gasbol, para superar gargalos na região Sul. A EPE estima que um projeto adicional do tipo, como a rota Siderópolis–Porto Alegre, proposta pela estatal, poderia acrescentar mais R$ 2,2 bilhões em investimentos.
Paraguai quer atrair rota para o Chaco
O mesmo estudo da estatal do planejamento energético concluiu que a construção de uma rota de importação de gás natural argentino via Paraguai pode se tornar uma opção mais barata para o Brasil. A estatal do planejamento energético estima que o gasoduto pelo Chaco Paraguaio demandaria, em território brasileiro, a instalação de um trecho de quase 400 km para ligar o gasoduto paraguaio ao Gasbol, no Mato Grosso do Sul, ao custo de R$ 6,12 bilhões – sem contar, portanto, o investimento em território dos demais países. o gasoduto Porto Murtinho–Campo Grande, trecho brasileiro do gasoduto de interligação entre Argentina e Brasil via Paraguai, teria 392 km de extensão e atravessaria 11 municípios no Mato Grosso do Sul, segundo a EPE. E estatal reconhece, contudo, que o custo direto na implementação dos projetos não será o único fator a pesar no planejamento da infraestrutura para trazer, a longo prazo, o gás de Vaca Muerta até o Brasil. A EPE ressalva que questões como prazos de execução; relações diplomáticas e atração de investimentos entre os países envolvidos; garantia de suprimento; necessidade de melhorias em infraestruturas adjacentes também pesarão na decisão sobre a melhor rota de integração com a Argentina. “O alinhamento desses diversos fatores, juntamente com o custo, são fundamentais para tomada de decisão final de investimento para a integração gasífera regional”, cita o plano indicativo da EPE. O Paraguai tenta se posicionar como uma rota alternativa à Bolívia e vem buscando uma aproximação com argentinos e brasileiros para se firmar como uma opção concreta. Batizado em bandas paraguaias de Gasoducto Bioceánico, o projeto é ambicioso: envolve a construção de mil quilômetros de duto em três países diferentes (Argentina-Paraguai-Brasil). É, dentre as alternativas para integrar Vaca Muerta ao mercado consumidor brasileiro, a rota de maior quilometragem de infraestrutura nova – e, por isso, tem sido visto com certo ceticismo por agentes do mercado brasileiro. O Paraguai busca atrair investidores para viabilizar essa alternativa, estratégica também para sua própria matriz energética. O país até hoje não possui acesso ao gás e vê, no projeto, um caminho de se integrar ao mercado sul-americano. Presente no seminário do MME, nesta quinta (22), o vice-ministro de Minas e Energia do Paraguai, Mauricio Bejarano, defendeu o projeto como uma solução de “integração energética integral” e destacou que o país está pronto para avançar com o projeto. “É praticamente nula a dificuldade [de instalação do gasoduto do Chaco]”, disse Bejarano, que citou a intenção do Paraguai de atrair investimentos na produção de fertilizantes nitrogenados e geração de energia competitiva para data centers“, disse.
Fonte: Eixos
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