A PetroReconcavo adquiriu 50% de participação na unidade de processamento de gás natural (UPGN) Guamaré, no Rio Grande do Norte, da Brava Energia, por US$ 65 milhões (cerca de R$ 340 milhões), informaram as empresas em fato relevante. O negócio, que ainda depende do cumprimento de condições prévias, tem previsão de ser concluído ainda este ano. De acordo com o cronograma da operação, 10% do valor foi pago pela PetroReconcavo na quarta (04). Outros 25% serão pagos, mas condicionados à aprovação da venda pelo Cade, e 50% serão desembolsados no fechamento da transação, após o cumprimento das demais condições precedentes. Os 15% restantes vão ser quitados de forma fracionada conforme a evolução da transferência imobiliária. A transação era esperada pelo mercado: a PetroReconcavo vinha negociando com a Brava a entrada no negócio, como parte do plano de expansão dos negócios de gás natural da companhia. Em dezembro de 2024, as duas empresas assinaram um acordo de parceria para avançar com as tratativas. Pelo acordo, será formado um consórcio, que administrará as duas processadoras de gás de Guamaré — uma ativa, com capacidade de 1,5 milhão de metros cúbicos por dia (m3/dia) e outra que está parada, com a mesma capacidade. O negócio inclui também um gasoduto que interliga a produção de gás da PetroReconcavo e de outros campos da Brava à UPGN e uma área de armazenagem de gás liquefeito de petróleo (GLP). O acordo inclui também a assinatura de compromisso de aquisição de gás natural da PetroReconcavo pela Brava Energia até o primeiro semestre de 2031, a partir do segundo semestre de 2025. Em média, o fornecimento será de 150 mil m3/dia durante a vigência do contrato. José Firmo, presidente da PetroReconcavo, afirmou que a parceria com a Brava Energia representa um marco no mercado de petróleo onshore por avançar na busca de sinergias que permitam reduzir os custos de produção de gás natural e acelerar o desenvolvimento de reservas. O gás natural representa cerca de 40% da produção total da PetroReconcavo, estima Firmo. “Essa operação traz a ideia de resiliência operacional e de investimento, para termos tranquilidade de desenvolver uma reserva de gás sabendo que vamos ter uma parceira que permita baixar ao máximo o custo de tratamento”, disse Firmo.
Mais negócios
João Vitor Moreira, vice-presidente comercial da PetroReconcavo, acrescenta que a entrada em Guamaré amplia as possibilidades de negócios com distribuidoras e clientes do mercado livre de gás. Recentemente, contou o executivo, a empresa criou um portal para a oferta “spot” (no curto prazo) e se prepara para o avanço da abertura do mercado de gás no país. Décio Oddone, presidente da Brava Energia, reiterou que a parceria ajuda a otimizar custos e destacou: “É uma maneira de fortalecer e ampliar a confiabilidade tanto da produção quanto do escoamento do gás natural e de seus derivados, assegurando um fluxo estável e seguro na região”. Para o diretor de novos negócios, trading e downstream da Brava Energia, Pedro Medeiros, a operação tem um caráter estratégico por ser uma das primeiras estruturas de parceria em infraestrutura de gás natural no Brasil. Segundo ele, caso a demanda aumente, a retomada da unidade de gás que está hibernada pode ocorrer de forma rápida. “Olhando o atendimento a terceiros, o fato de termos nos tornado parceiros permite acelerar alguns planos de expansão”, disse.
Fonte: Valor Econômico
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