Segundo relatório da Wood Mackenzie, a produção de gás natural na Argentina deve atingir um pico de 180 milhões de m³/dia na próxima década, quando o país vai substituir a Bolívia como o principal supridor regional. Caso consiga se estabelecer como um supridor confiável de gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional, o país poderia elevar a extração para até 270 milhões de milhões de m³/dia, estima a consultoria. Com o declínio da extração boliviana, a Argentina caminha para se tornar líder regional — o que interessa sobretudo ao Brasil, que depende de importações para suprir o mercado interno, principalmente quando há o acionamento de usinas termelétricas. O governo brasileiro teme choques na oferta do combustível boliviano para a geração termelétrica. No mês passado, a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) alertou sobre eventuais restrições no gás importado da Bolívia, cenário que deve ser cada vez mais frequente com a redução das reservas do país.
O MME já começou a despachar medidas de curto prazo para reduzir a dependência do mercado externo, incluindo um plano para viabilizar a antecipação da entrada em operação da estação de compressão de Japeri, da NTS. O Brasil começou a importar gás argentino em abril deste ano, depois que a reversão de um gasoduto no norte do país permitiu a importação por meio da infraestrutura do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol).
Melhorias na infra
A chegada de maiores volumes, no entanto, ainda depende de melhorias na infraestrutura e no preço da molécula. Além da infraestrutura na Bolívia, o GNL também é uma alternativa para a chegada do gás argentino ao Brasil. Hoje, as importações brasileiras de GNL vêm principalmente dos EUA. Ter um parceiro regional pode ajudar a evitar problemas em momentos de restrições no mercado internacional. O cenário, no entanto, vai demandar vultosos investimentos: a Argentina precisa de pelo menos US$ 5 bilhões para financiar a expansão da infraestrutura de gás, estima a Wood Mackenzie. Para desenvolver os projetos de exportação de GNL, serão necessários outros US$ 5 bilhões, sobretudo para a expansão de capacidade de gasodutos dedicados à infraestrutura de liquefação. Preços competitivos, além de estabilidade e previsibilidade regulatória serão cruciais para atrair esses investimentos, ressalta a Wood Mackenzie. “A Argentina também vai precisar competir com fornecedores globais de GNL de menor custo, o que exige uma estratégia comercial consistente”, diz o gerente sênior de pesquisa da consultoria, Javier Toro.
Fonte: Eixos
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