A EPE apontou a construção de um novo gasoduto de escoamento no pré-sal – e uma unidade de processamento (UPGN) associada – como uma das prioridades para ampliação da infraestrutura de gás natural do país nos próximos anos. O novo Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB), colocado em consulta pública nesta segunda (29, indica 13 projetos como prioritários para ampliar a oferta de gás natural e biometano no Brasil, além de mitigar gargalos e expandir a malha integrada de gasodutos. Um dos principais destaques do PNIIGB é a construção de uma infraestrutura nova para levar o gás de Bacalhau e Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, até a costa. A ideia é que o PNIIGB (entenda o que é) subsidie os novos processos de outorga e funcione como uma carteira de projetos que poderá ser ofertada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ao mercado. Dentre os projetos contemplados estão:
Gasoduto Bacalhau/Aram–Cubatão: duto de escoamento com 360 km de extensão, capacidade para 12,5 milhões de m³/dia e investimento estimado em R$ 5,06 bilhões; e a UPGN Cubatão: com capacidade para 12,5 milhões de m³/dia e capex estimado de R$ 2,7 bilhões. O projeto visa a escoar a produção de Aram (operado pela Petrobras) e da fase 2 de Bacalhau (operado pela Equinor). A fase 1 começa a produzir este ano com a reinjeção do gás). A EPE cita que a reinjeção, por falta de infraestrutura adequada na região, “representa uma perda de valor econômico e energético”. O projeto, portanto, estaria alinhado aos objetivos do Gás para Empregar, de aumentar a oferta de gás nacional. Como premissa, foram considerados dois ramais – de Bacalhau e Aram – que seriam unificados em um gasoduto tronco.
Conexão a Mexilhão pode ser alternativa
Como alternativa, o PNIIGB também analisou a construção de um gasoduto de 113 km para escoar somente a produção de Aram, caso Bacalhau 2 não se concretize. O duto ligaria Aram à plataforma de Mexilhão, para posterior processamento na UTGCA, em Caraguatatuba (SP). A EPE cita que, nesse caso, todos os ativos envolvidos são pertencentes à Petrobras, permitindo-a integrar esta solução, reduzindo custos e dificuldades operacionais. A estatal do planejamento energético faz algumas ponderações: Custo do tie-back: nesse caso, o custo seria inteiramente absorvido pela Petrobras e CNODC (sua sócia em Aram), ao passo que no projeto Bacalhau/Aram há uma divisão proporcional dos custos com o consórcio de Bacalhau (Equinor/Exxon Mobil/Petrogal); Eventual necessidade de adequação de Mexilhão; Restrições na UTGCA: embora a UPGN tenha capacidade para processar até 20 milhões de m³/dia, o ativo tem operado abaixo, devido às limitações técnicas decorrentes da mudança da composição do gás; Problemas logísticos para o escoamento dos líquidos: GLP e C5+ adicionais que seriam gerados pelo processamento do gás natural de Aram na UTGCA/SP.
EPE também sugere conexão de Gato do Mato
O Plano Nacional Integrado também destaca, como prioritária, a conexão de Gato do Mato (Orca), operado pela Shell, ao Rota 2. Gato do Mato – Conexão Rota 2: consiste num tie-back de 24 km de extensão, com capacidade para 1,5 milhão de m³/dia e investimento estimado em R$ 529 milhões. Em março, a Shell anunciou a decisão final de investimento no projeto, previsto para começar a produzir em 2029 e sem previsão de exportação de gás para a costa num primeiro momento. A EPE cita que, como a Shell integra o consórcio do Sistema Integrado de Escoamento (SIE), “percebe-se a atratividade/possibilidade/potencial de conexão” aos ativos existentes. A diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloísa Borges, disse que o plano contemplaria o uso das infraestruturas existentes de escoamento e processamento. O Rota 2, que conecta o campo de Lula, na Bacia de Santos, à UPGN Cabiúnas, em Macaé (RJ), possui capacidade de 16 milhões de m³/dia.
Fonte: Eixos
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