O IBP enviou no último diaa 17 uma carta ao Presidente Lula solicitando o veto parcial ao art. 15 do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 10/2025, que altera a Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997) ao introduzir o inciso XIX, que atribui ao CNPE a competência para definir limites de reinjeção de gás natural nos blocos exploratórios antes mesmo de serem leiloados pela ANP. O Instituto alerta que a medida é contrária ao interesse público, pois resultará em insegurança jurídica e regulatória, podendo reduzir os benefícios econômicos da União e dos entes federativos ao impedir o melhor aproveitamento dos recursos. O PLV 10/2025, que foi originado da MP 1304 aprovada no Congresso para reforma do setor elétrico, deverá ser sancionado pelo Presidente Lula. O IBP produziu uma nota técnica sobre o assunto, detalhando os riscos da mudança sobre a injeção de gás natural, disponível no site da entidade. “A definição de um limite à reinjeção de gás natural no reservatório ex-ante ao Leilão, como determina o PLV 10/2025, implica numa tomada de decisão que não considera todas as variáveis e informações que precisam obrigatoriamente estar disponíveis para uma avaliação adequada e que só serão obtidos após a licitação e do início das atividades de E&P”, afirma a diretora executiva de Gás Natural do IBP, Sylvie D´Apote.
Risco técnico e econômico
Segundo o IBP, a imposição de limites prévios ignora a realidade técnica da indústria. A definição dos volumes de gás a serem reinjetados depende de complexos estudos geológicos e econômicos realizados após a descoberta e a avaliação do campo. As análises do IBP explicitam que fixar um limite de reinjeção sem os dados concretos do reservatório pode até reduzir a futura produção de gás, gerando impactos contrários ao esperado pelo PLV. O Instituto lista três impactos da proposta: – Queda na recuperação de petróleo: percentuais inadequados de reinjeção significam menor recuperação de óleo, reduzindo a viabilidade econômica de novos projetos de Exploração e Produção (E&P); Efeito reverso na oferta: ao invés de aumentar a disponibilidade de gás, a medida pode afastar novos investimentos em E&P e, consequentemente, reduzir a oferta futura de gás natural ao inviabilizar os projetos de produção; e Violação de isonomia: a criação de restrições a novos blocos fere os princípios da concorrência, criando distinções injustificadas entre agentes econômicos que operam em condições semelhantes.
O papel da ANP e o sucesso do modelo atual
O IBP destaca que o modelo atual, onde o operador submete um Plano de Desenvolvimento (PD) para aprovação da ANP é o mais adequado, pois a agência possui a competência técnica para avaliar caso a caso a melhor estratégia para maximizar a recuperação dos hidrocarbonetos. De acordo com o IBP, esse processo tem se mostrando adequado ao longo dos anos, com a aprovação de projetos de produção de petróleo e gás que reinjetam água, de outros que reinjetam uma mistura de água e gás natural, bem como de projetos que produzem quase exclusivamente gás natural (e terão reinjeção), como é o caso dos projetos de Raia e Sergipe Águas Profundas. Aprovados sob as regras vigentes, esses dois projetos produzirão mais de 34 milhões de metros cúbicos de gás por dia, ampliando em cerca de 50% a oferta doméstica, sem a necessidade de imposições legais prévias. O Instituto reforça que a definição da estratégia de reinjeção é central para a viabilidade econômica dos projetos e que políticas públicas que impõem limites á reinjeção ex-ante prejudicam o crescimento do mercado de gás. Diante dos riscos de insegurança jurídica, da otencial perda de arrecadação e de redução de novos investimentos em E&P, o IBP solicita e recomenda o veto à inclusão do inciso XIX no art. 2º da Lei nº 9.478/1997, contida no PLV 10/2025, como medida essencial para manter a atratividade do setor e garantir a segurança energética do país.
Fonte: PetróleoHoje
Related Posts
3300 Botanique em Balneário Camboriú recebe gás natural da SCGÁS
A SCGÁS concluiu, no dia 4 de dezembro de 2025, a ligação de gás natural ao 3300 Botanique, um novo food hall localizado no centro de Balneário Camboriú (SC). Embora ainda sem data definida para...
Novo reajuste do gás natural varia de 0,4% a 5%, diz Cigás
A Cigás informou que o reajuste no gás natural para janeiro de 2026 resultou em um impacto de 0,4% e 5% na tarifa final, a depender do segmento e da faixa de utilização. Segundo a Cigás, o processo de...

