A Prefeitura de São Paulo está criando mecanismos para acelerar a descarbonização no transporte público de passageiros na cidade com o uso de ônibus a biometano, segundo o secretário adjunto de Mobilidade Urbana e Transporte, Rafael Mangerona. Ele explicou que o programa BioSP, instituído pelo Decreto 64.519 em setembro de 2025, está estruturando o processo de contratação para adotar o biometano como alternativa ao diesel nos ônibus das concessionárias que operam na capital. “A Secretaria Municipal de Transportes poderá determinar a substituição desse carro da frota. Isso é muito importante. Ou seja, trocar a frota que já tem o tempo de vencimento [de dez anos], mas também não exclusivamente quando vence. O programa não ficou restrito apenas à data da frota principal”, afirmou o secretário. Essa flexibilidade, segundo ele, é um avanço para viabilizar o objetivo de ter uma frota integralmente movida a energia limpa. “Isso é um ganho. Havendo a molécula, tendo a infraestrutura necessária e os ônibus fabricados, a gente está pronto para isso”, complementou o executivo municipal. “É um produto que já está à porta das garagens dos concessionários e a redução de emissões é de 100% de carbono”, finalizou Mangerona.
O diretor regulatório e institucional da Comgás, Bruno Dalcolmo, afirmou que a companhia já realizou um mapeamento detalhado da localização de todas as concessionárias de ônibus no município. Dalcolmo destacou a proximidade da infraestrutura existente: “A Comgás conta com rede de gás encanado a menos de um quilômetro de 90% de todas as garagens – em cerca de 60% delas, temos rede passando na porta das garagens. A conexão e entrega de biometano nas garagens, acrescentou o diretor, será feita por meio de uma rede subterrânea, garantindo que não haverá interferências na rotina da cidade. Para atender à demanda, a Comgás já conectou importantes plantas produtoras de biometano, como a Costa Pinto, em Piracicaba, e a Onebio, em Paulínia, e abriu um edital para promover a conexão com outras plantas. A empresa, concluiu Dalcolmo, também vem reforçando sua infraestrutura, que atualmente conta com mais de 23.000 quilômetros de rede.
Já a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Natália Resende, enfatizou que o biometano é uma prioridade para o governo paulista. Segundo ela, o potencial de produção desse gás renovável em solo paulista é expressivo, podendo alcançar 6,4 milhões de metros cúbicos por dia, o que representa 40% da necessidade da indústria de São Paulo. Resende também ressaltou o compromisso do Estado em transformar resíduos em energia, visando atingir a marca de 1 milhão de metros cúbicos de biometano por dia. “A gente está juntando os municípios para de fato transformar o lixo em energia”, afirmou. A secretária ilustrou o sucesso da iniciativa com exemplos concretos. “Presidente Prudente pode se orgulhar de ser a primeira cidade do Brasil a ter o abastecimento de 5.000 domicílios por meio do biometano que a Necta distribui a partir da planta da Cocal”, destacou. Ela também mencionou a inauguração da maior planta de biometano do país, a Onebio, empreendimento da Edge e Orizon VR. “A gente inaugurou em Paulínia a maior planta de biometano do Brasil, que vai chegar até 225.000 m³ dia. Isso é economia circular de verdade”, concluiu.
Fonte: EnergiaHoje
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