Com reservas de gás estimadas em 308 trilhões de pés cúbicos (TCF, na sigla em inglês), a região de Vaca Muerta ainda não consegue exportar sua produção. A situação deve mudar a partir de 2027, quando o primeiro navio de gás natural liquefeito (GNL) da Southern Energy SA (Sesa) entrar em operação. A SESA é uma joint-venture liderada pela PanAmerican Energy (30%), em parceria com a YPF S.A. (25%), Pampa Energía (20%), Harbour Energy (15%), Golar LNG Ltd (10%). Em março, a Sesa firmou contrato com a alemã Securing Energy for Europe (SEFE) para a venda de 2 milhões de toneladas de GNL por ano, durante oito anos. O contrato começa no fim de 2027, quando o primeiro dos dois navios da Sesa entrar em operação. O volume a ser enviado à SEFE corresponde a 80% da capacidade desta primeira embarcação. Juntas, as duas embarcações terão capacidade para 27 milhões de m³ por dia, ou 6 milhões de toneladas de GNL por ano. A segunda embarcação deve começar a operar em 2028.
A exportação do gás de Vaca Muerta receberá cerca de US$ 16,3 bilhões em investimentos, disse o diretor-geral da Pan American Energy no Brasil, Alejandro Catalano, à MegaWhat. A maior parte, US$ 15 bilhões, corresponde ao afretamento das embarcações por 20 anos, somado a investimento em pequenos gasodutos que ligarão os navios à planta compressora de GNL. Mais US$ 1,3 bilhão será investido na construção de um gasoduto dedicado com planta compressora, para movimentar o gás das reservas de Vaca Muerta até os navios de GNL, em uma extensão de cerca de 600 quilômetros, explicou Catalano. O gasoduto será construído por outra empresa, chamada San Matías Pipeline e que tem os mesmos sócios da SESA, disse o executivo. As obras devem levar cerca de um ano, segundo Catalano, que também informou que o gasoduto está em fase de “pré-construção”, com obtenção de licenças e contratos com fornecedores. Apesar de o primeiro contrato ter sido firmado com a alemã SEFE, Catalano avalia que a Sesa representa “uma grande oportunidade” para oferta de GNL ao Brasil, em função da proximidade que pode reduzir também o tempo de entrega do combustível.
A Pan American, líder do consórcio da Sesa, já recebeu autorização da ANP para comercializar gás no Brasil. Segundo Catalano, a empresa já tem pelo menos contrato firmado, mas sem obrigação de entrega firme, e por isso ainda não houve a primeira descarga de gás no Brasil. “Estamos aguardando algumas condições econômicas ideais. Queremos acordos relevantes, e não fazer uma operação e nada mais”, disse o executivo à MegaWhat. Catalano também pontuou que a Pan American tem ativos na Bolívia, e poderia trazer gás boliviano ao Brasil. Atualmente, a única forma de fazer o gás argentino chegar ao Brasil é por meio de Bolívia, mas a rota enfrenta gargalos como taxas de exportação na Argentina, preços de transporte cobrados pela boliviana YPFB pelo uso do gasoduto em seu território e limitações da infraestrutura. A exportação também ocorre apenas sazonalmente, já que durante o inverno o uso doméstico na Argentina para aquecimento e as limitações de infraestrutura inibem excedentes para o mercado externo. Até o momento, ocorreram operações spot de agentes como a Petrobras, Edge e Matrix Energia. Segundo a Pan American, a Argentina tem capacidade de abastecer o Brasil via gasodutos com 10 a 15 milhões de m³ por dia.
Fonte: Megawhatt / Uol
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