Distribuidoras estão investindo na expansão de dutos e conexões para o fornecimento de biometano, sozinho ou misturado ao gás natural canalizado. Mesmo locais que antes careciam de infraestrutura até mesmo para o combustível fóssil, ou com sistemas menores, estão recebendo redes próprias. O norte do Paraná, por exemplo, ganha duas malhas para biometano até 2029, em um investimento de R$ 100 milhões da Compagas até 2029. Em 2025 a empresa integrou 4 km de dutos à rede existente entre os municípios de Londrina e Cambé e está implantando outros 20 km em Maringá, com previsão de fornecimento ainda neste semestre.
O biometano, produzido em Tamboara (PR) a partir de resíduos de cana-de-açúcar, será enviado de caminhão até as bases da empresa em Londrina e em Maringá, onde será injetado nas redes. “Os consumidores industriais são o público prioritário na fase inicial da operação”, diz Eudes Furtado Filho, CEO da Compagas. Até 2029, acrescenta ele, a previsão é alcançar cerca de 3 mil unidades consumidoras na região, incluindo comércio, residências, frotas urbanas e veículos pesados. A demanda potencial foi estimada em aproximadamente 30 mil m3/dia em cada rede. Outros R$ 50 milhões estão reservados pela distribuidora para a conexão, ainda em estudo, de usinas de biometano próximas à região metropolitana de Curitiba à rede que abastece a capital paranaense e arredores.
Em Goiás, onde não há redes de gás natural, um projeto prevê um gasoduto para ligar a usina de biometano da EcoGeo, a ser construída em Guapó (35 km da capital), até a base de abastecimento da frota de transporte público da região metropolitana de Goiânia. A previsão da Goiasgás, responsável pela implantação da rede, é que as obras terminem em 2028, quando Goiás terá adquirido 500 ônibus que poderão circular também com gás natural veicular (GNV). Segundo o diretor-presidente da Goiasgás, Erik Figueiredo, o biometano é “extremamente competitivo” no Estado em relação ao diesel. “Além disso, há previsibilidade de preço, por não estar sujeito a flutuações do mercado internacional”, afirma.
A Copergás, de Pernambuco, injeta biometano em sua rede há um ano, após aporte de R$ 6,7 milhões para a conectar uma usina em Jaboatão dos Guararapes que utiliza resíduos sólidos urbanos, operada pela Orizon, ao seu sistema de distribuição. “Esse arranjo cria as bases para que o biometano possa atingir, em 2026, cerca de 8% do volume total distribuído”, diz o diretor técnico[1]comercial da Copergás, Roberto Zanella. Outro gasoduto já em operação, desde fevereiro, é o da Sulgás, que investiu R$ 6 milhões em uma linha de 4 km e na adaptação da estação de entrega para ligar o biometano produzido a partir de resíduos da agroindústria e de frigoríficos na unidade da Bioo em Triunfo (RS), no Polo Petroquímico do Sul, à sua rede de distribuição. O gás renovável possibilita uma lógica descentralizada, o que abre espaço a criação de hubs regionais – a Sulgás deve inaugurar um no Rio Grande do Sul em 2027 -, redes locais e soluções integradas de conexão. “Esse arranjo permite avaliar a viabilidade da expansão da infraestrutura de distribuição em novas regiões, criando condições para o surgimento de mercados até então inexistentes e ampliando o acesso ao gás canalizado de forma sustentável”, afirma Tiago Santovito, diretor-executivo da ABiogás. O CNPE aprovou, no início de abril, a meta de redução de 0,5% nas emissões para produtores e importadores de gás natural por meio da participação do biometano, percentual que pode aumentar no futuro. “Isso dá segurança para [o mercado] investir em novos projetos”, diz. Pedro Maranhão, presidente da Abrema.
Do ponto de vista econômico, o custo associado à inserção do biometano tende a ser internalizado ao longo da cadeia de valor do gás. “E pode refletir, em alguma medida, nas tarifas finais, a depender dos mecanismos regulatórios que venham a ser definidos”, salienta Marcelo Mendonça, diretor executivo da Abegás.
Fonte: Valor Econômico / Suplemento – Transição energética
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