O mercado livre de gás do Brasil entrou em uma nova fase de desenvolvimento, com o volume total contratado ultrapassando 15 milhões de metros cúbicos por dia no início de 2026. Trata-se de uma mudança estrutural, com o segmento passando de grandes migrações pontuais para um mercado mais diversificado e competitivo, impulsionado por consumidores industriais menores, de acordo com um novo relatório da Wood Mackenzie.
O relatório, intitulado “Brazil’s gas free market hits the long tail: what changed and what’s next”, mostra que a maioria dos grandes players industriais já migrou, o mercado agora conta com mais de 100 consumidores industriais e o crescimento recente vem cada vez mais de contratos abaixo de 50 mil metros cúbicos por dia.
“O mercado livre de gás natural no Brasil não depende mais apenas de grandes volumes de vendas”, disse Lucas Rego, analista de gás da Wood Mackenzie. “Agora vemos a transição inegável para o mercado de longo prazo: muitos novos contratos, volumes médios menores e um foco crescente em estratégia comercial, renovação de contratos e fidelização de clientes.”
Os setores de alta intensidade energética continuam a ancorar a demanda. Cerâmica, siderurgia e metalurgia, juntos, representam cerca de 7 milhões de metros cúbicos por dia, quase metade do volume total do mercado livre.
Três empresas dominam o mercado do lado da oferta. A Petrobras lidera, com cerca de 6 milhões de metros cúbicos por dia, seguida pela Edge, com aproximadamente 3 milhões, e a Galp, com cerca de 2 milhões.
No entanto, a atividade de contratação recente está se tornando menos concentrada, com vários fornecedores competindo por contas menores e as renovações representando uma parcela crescente dos novos volumes contratados no final de 2025.
As estruturas contratuais também destacam a natureza evolutiva do mercado. Enquanto os contratos com países em desenvolvimento (PDDs) normalmente têm uma duração média de oito anos, os contratos do mercado livre agora têm uma média de pouco mais de dois anos, o que leva a ciclos de renegociação mais frequentes e intensifica a concorrência entre fornecedores em mais de 120 compradores, incluindo PDDs e consumidores industriais do mercado livre.
“Com a maioria dos grandes consumidores já migrada, o crescimento futuro dependerá da capacidade dos fornecedores de competir em novas regiões e adaptar suas estratégias comerciais a uma demanda menor e mais fragmentada”, acrescentou Rego. “A próxima fase da liberalização dependerá menos da escala e mais da execução”.
Fonte: EnergiaHoje
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