A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou que mudanças na regulação do setor de gás — como o programa de desconcentração do mercado, o gas release — podem atrasar o cronograma do Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) e desestimular novos investimentos na cadeia. Segundo ela, qualquer alteração no arranjo comercial do gás produzido pelo consórcio coloca em risco a viabilidade do gasoduto de escoamento, cuja contratação estava prevista para este ano. “Se o projeto como foi concebido houvesse dúvidas da situação regulatória, provavelmente não teríamos priorizado”. Ela destacou que o projeto foi aprovado dentro de um cenário de regras estáveis e lembrou que a iniciativa deve elevar a produção de óleo em Sergipe de 50 mil para 240 mil barris por dia, além de injetar 18 milhões de metros cúbicos diários de gás na rede. “Inviabilizar a comercialização do gás que o consórcio está produzindo certamente não vai trazer bons investimentos, é mais fácil você investir em óleo do que gás”, complementou. A executiva foi enfática ao afirmar que a mudança nos acordos celebrados com os sócios do projeto — que incluem empresas indianas — seria um desrespeito à segurança jurídica contratual. Questionada se a posição da Petrobras se opõe apenas ao gas release sobre a molécula própria da estatal ou também à compra de gás de terceiros, Anjos explicou que a visão envolve ambos, pois o consórcio foi montado com base em um arranjo definido. “Quando você faz um consórcio, os negócios foram acertados como estabelecidos. Você mudar por decreto esse arranjo está afetando a garantia dos acordos celebrados. E o Brasil é mestre em não ferir acordos celebrados”, afirmou.
Margem Equatorial
Sobre a Margem Equatorial, a diretora informou que a perfuração do poço Morfo, no Amapá, está na fase final, com expectativa de entrada no reservatório na primeira semana de agosto. Houve atrasos devido a uma parada regulatória e à zona de pressão anormal, que exigiu cimentação total do poço. A diretora também adiantou que, após a conclusão, a sonda será deslocada para o Rio Grande do Norte, onde vai perfurar o poço Mãe de Ouro. Para as demais locações, a Petrobras estuda trocar a sonda atual por outra mais eficiente. Na Bacia de Pelotas, a Petrobras detém 32 blocos, mas os trabalhos ainda estão em fase inicial de levantamento sísmico. Segundo Anjos, a ideia é perfurar um poço na região caso as análises indiquem “grandes possibilidades”, mas a decisão depende da conclusão dos estudos previstos para o fim deste ano ou início de 2027. “Nós só descobrimos com a perfuração”, completou.
Fonte: Eixos
Related Posts
MDIC questiona potencial do gas release para reduzir preço da molécula
O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, questionou o potencial do gas release...
Sob pressão da Petrobras, gas release provoca racha no MDIC
A criação de um programa de desconcentração do mercado de gás natural divide opiniões dentro do governo Lula (PT) e a escalada das pressões políticas da Petrobras, no Planalto, provocou um racha dentro do...

