Os contratos futuros de petróleo fecharam a segunda-feira (09), na maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991, em meio ‘à “guerra de preços” deflagrada pela Arábia Saudita em retaliação à recusa da Rússia em concordar com cortes na produção.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril encerrou a sessão despencando 24,58%, ou US$ 10,15, levando o barril a ser cotado a US$ 31,13. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para maio tombou 24,10%, ou US$ 10,91, a US$ 34,36 o barril, menor valor em quatro anos.
O pânico no mercado da commodity começou ainda ontem, quando as duas principais cotações abriram com queda de quase 30%. Na noite de sábado, a petrolífera estatal saudita, Saudi Aramco, anunciou aumento da produção e redução de preços no barril, após o Kremlin vetar um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).
A medida foi interpretada como a deflagração de uma “guerra de preços”. Segundo analistas, o objetivo da manobra seria forçar os russos a retomar as negociações sobre cortes na produção, para fazer frente ao recuo da demanda global em meio ao surto de coronavírus.
“No momento em que o mundo precisa de menos petróleo, Arábia Saudita e Rússia estão prestes a abrir suas torneiras”, define o Julius Baer.
Em relatório divulgado nesta segunda, a Agência Internacional de Petróleo (AIE) estimou que o consumo de petróleo pode cair até 730 mil barris por dia este ano, o maior recuo desde 2009, quando os efeitos da crise financeira ainda eram sentidos. “A crise está aumentando as incertezas que a indústria global de petróleo enfrenta”, avaliou o diretor executivo da instituição, Fatih Birol, no relatório de médio prazo para o mercado.
O Commerzbank chamou a sessão de hoje de “segunda-feira negra”. O banco, no entanto, enxerga perspectivas um pouco melhores para o médio prazo. “O baixo nível dos preços significará que o fornecimento dos países fora da Opep, sobretudo com o xisto dos EUA, aumentará de forma menos acentuada, e a demanda crescerá de novo após o fim das consequências do coronavírus”, destaca.
Fonte: IstoÉ Dinheiro / Estadão Conteúdo
Related Posts
Petróleo fecha perto da estabilidade com otimismo pelo fim da guerra no Irã
Os contratos futuros do petróleo fecharam perto da estabilidade nesta quarta (15), com os investidores otimistas sobre um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para acabar com a guerra e reabrir o Estreito...
Petróleo cai com investidores otimistas sobre acordo entre EUA e Irã
Os contratos futuros do petróleo tiveram firme queda nesta terça (14), com investidores otimistas sobre a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para acabar com a guerra, apesar do...

