Com o crescimento da demanda por combustíveis renováveis na esteira da transição energética, o Espírito Santo caminha para ter três usinas para produzir biometano. Além da que já está sendo negociada para ser implementada em Cariacica, pela Marca Ambiental, o governo também busca viabilizar a construção de mais duas, em Vila Velha e Cachoeiro de Itapemirim, a partir de um acordo com o Grupo Lara, que tem aterros sanitários nas duas cidades.
O biometano é equivalente ao gás natural, mas com diferença na origem. Enquanto o gás natural é um combustível fóssil, normalmente associado ao petróleo, o biometano é o gás tratado com origem nos resíduos orgânicos, portanto, uma energia renovável.
O vice-governador e secretário de Estado de Desenvolvimento, Ricardo Ferraço, ressalta que a expectativa é produzir de 200 a 250 mil metros cúbicos por dia de gás a partir das três usinas de biometano planejadas, o que equivale à injeção de 10% de energia renovável ao volume de gás natural operado atualmente. Para viabilizar os investimentos, o governo também estuda uma linha de financiamento vinculada ao Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). “Estamos fazendo um grande esforço para incorporar três usinas de biometano à rede de gás natural. Cada um dos investimentos fica em torno de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões.
Estamos conversando com os grupos e estimulando os empresários a fazer esse investimento. O gás precisa ser purificado por um processo tecnológico para depois ser conectado à rede”, explica Ferraço.
Para o governador Renato Casagrande, o investimento em biometano é fundamental para lançar energia renovável na rede de distribuição. Ele destaca, ainda, que a partir deste ano o Estado conta com uma política de redução do ICMS para uso de gás natural, para tornar mais competitiva a sua utilização pelas indústrias.
“Queremos que os investimentos sejam potencializados nesta década porque, depois de 2029 e 2030, começa a ter a redução dos incentivos. Ter uma rede de distribuição de gás para a atividade econômica é fundamental”, frisa.
Corredor Azul
Outra frente de investimento prevista no Plano de Aceleração é a ampliação do consumo de GNV (gás natural veicular) em veículos leves e pesados. Além do benefício ao motorista, que conta com um combustível competitivo, a ampliação do GNV contribui, decisivamente, para a descarbonização, uma vez que diminui em 20% a emissão de CO² (gás carbônico) e 90% de materiais particulados. Para esse plano, estão previstos R$ 5,6 milhões. Segundo a ES Gás, a empresa tem focado no desenvolvimento da infraestrutura de abastecimento (postos) em locais estratégicos nas principais rodovias do Espírito Santo, que se conectam à Região Sudeste como um todo. A empresa está preparando a estrutura desses postos para viabilizar o abastecimento rápido da frota pesada, pavimentando, assim, o caminho para os investimentos dos grandes frotistas na conversão da frota pesada. As parcerias ainda estão sendo discutidas.
“O compromisso da ES Gás é contribuir para acelerar o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo através da ampliação da distribuição de gás natural gerando alternativa e maior competitividade para todos os consumidores: para os clientes residenciais, oferendo melhor qualidade de vida, segurança e comodidade; para os clientes comerciais e industriais, gerando mais rentabilidade e um serviço de maior qualidade; além do reforço do sistema para sustentar o crescimento do consumo de gás natural e de biometano, viabilizando a transição energética das indústrias”, explica Bertollo.
Fonte: A Gazeta (ES)
Related Posts
Governo publica meta de descarbonização do gás natural com biometano
O governo federal publicou, nesta quarta (06), a resolução 4/2026 do CNPE que fixa a meta anual de 0,5% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mercado de gás natural. Aprovada em 1º de abril, a...
Mercado quer metas plurianuais para planejar investimentos em biometano
Mais de um ano após a sanção do mandato de descarbonização de 1% do mercado de gás natural na lei do Combustível do Futuro, o governo aprovou, no início de abril, a regulamentação reduzindo a meta para 2026...

