A Gás Verde produz e comercializa o biometano proveniente do biogás de depósitos de rejeitos agrícolas e aterros sanitários como o Centro de Tratamento de Resíduos do Rio (CTR Rio), em Seropédica. A partir deste ano vai produzir o CO2 verde. Além disso, emite o CBIO, crédito de descarbonização de acordo com as especificações da ANP e o BIORec, certificado de rastreabilidade do biometano adquirido. Com a crescente demanda de outras empresas interessadas em reduzir sua pegada de carbono, a Gás Verde vai ampliar sua produção de biometano de 160 mil metros cúbicos por dia para mais de 500 mil, até 2026, com investimentos em novas usinas no Rio. “Apesar de ter uma matriz elétrica limpa, temos um grande desafio em relação ao uso de combustíveis fósseis. A boa notícia é que o Brasil tem uma vocação natural para o etanol e o biometano, que são parte dessa solução”, afirma o CEO da Gás verde, Marcel Jorand. Acompanha e a entrevista:
Por que o biometano, na sua visão, é hoje uma das principais soluções para a transição energética?
Dada a emergência climática que vivemos, as empresas já perceberam que não basta compensar suas emissões, é preciso mudar a forma de operar, reduzindo suas emissões. É aí que entra o biometano como melhor solução ambiental. O biometano é um combustível 100% renovável que reduz em 99% as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Produzido a partir de biogás de resíduos de aterros sanitários, o biometano tem a mesma aplicação e é intercambiável com o gás natural. Isso significa que ele pode ser utilizado tanto em processos produtivos quanto para abastecer veículos e frotas, em substituição aos combustíveis fósseis, como diesel, GLP, óleo combustível, gás natural e gasolina, por exemplo.
Quais as vantagens para as empresas?
A utilização do biometano ajuda as empresas a atingirem suas metas de descarbonização. Por ser 100% renovável e reduzir em 99% as emissões de GEE, significa que as empresas que adotam o biometano deixam de poluir, logo, não precisam mais comprar crédito de carbono para compensar emissões, por exemplo. É uma mudança na forma de operar. Além de ser considerado o biocombustível do futuro por não agredir o meio ambiente, o biometano também é economicamente previsível, pois não sofre com as variações do câmbio do dólar e do petróleo, já que é produzido 100% em território nacional e varia com o IPCA. A Gás Verde ainda disponibiliza aos clientes o BIORec, o certificado que atesta a origem renovável do biometano e pode ser utilizado em instrumentos como o inventário de emissões e relatório de sustentabilidade das empresas, por exemplo.
Quando o senhor fala em aumentar a produção até 2026 de 160 mil metros cúbicos para mais de 500 mil metros cúbicos, o que isso significa em termos de aplicação?
Além do caso da Ambev, em Cachoeiras de Macacu (RJ), que se tornou um benchmark global para o setor de bebidas, por ser a primeira cervejaria do Brasil movida 100% a biometano, a Gás Verde também abastece outras grandes indústrias, como a siderúrgica Ternium, a francesa Saint-Gobain na fábrica da Quartzolit, em Queimados (RJ), as multinacionais Haleon, Vesuvius e L’Oréal, entre outras. Vamos ampliar a nossa produção para mais de 500 mil metros cúbicos por dia a partir de plantas localizadas em seis estados brasileiros. Além de Rio de Janeiro e São Paulo, vamos passar a produzir biometano em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Maranhão, o que vai permitir atender novos mercados. A demanda por biometano hoje é maior do que a oferta, então, o aumento de produção vai nos possibilitar apoiar mais empresas em suas jornadas de descarbonização.
Em que pé estamos hoje nessa transição energética no país? Qual é a sua análise?
O Brasil tem metas ambiciosas de redução de emissões, e o desafio não é trivial. É preciso um conjunto de ações para alcançar esse objetivo, que é estratégico para o futuro do nosso planeta. Apesar de ter uma matriz elétrica limpa, temos um grande desafio em relação ao uso de combustíveis fósseis. A boa notícia é que o Brasil tem uma vocação natural para o etanol e o biometano, que são parte dessa solução.
De acordo com a Abiogás, o país tem potencial para produzir mais de 120 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, o que seria suficiente para atender 70% da demanda de diesel do país. Estamos falando de um combustível 100% renovável, que reduz em 99% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e pode ser usado tanto em processos produtivos quanto no abastecimento de frotas. O setor de transporte, por exemplo, é um dos grandes poluentes e o principal modal logístico do país é rodoviário, ou seja, temos uma grande oportunidade de ser protagonista dessa transição energética. Ao mesmo tempo, temos visto um movimento cada vez mais crescente por parte das empresas em adotar soluções ambientais que apoiem a descarbonização de suas operações, o que é muito positivo e indica que há um comprometimento real com a causa ambiental, que afeta toda a sociedade. Então, apesar do grande desafio que temos pela frente, também estamos muito animados de que estamos no caminho certo para contribuir com a transição energética do nosso país.
Fonte: O Globo Online
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