O número de unidades produtoras de biogás com fins energéticos no Brasil cresceu 18% em 2024, alcançando 1.633 plantas cadastradas, das quais 248 foram implantadas apenas no último ano. Dados constam do Panorama do Biogás 2024, divulgado pelo CIBiogás. Além do avanço no número de plantas, a capacidade instalada em operação saltou 16%, totalizando 4,7 bilhões de Nm³/ano. Em equivalências energéticas, se este volume fosse transformando em energia elétrica, poderia gerar 9,4 bilhões de kWh no ano, o suficiente para suprir aproximadamente 4,9 milhões de residências de consumo médio no país. Apesar de 75% das unidades serem de pequeno porte, a produção está concentrada nas grandes usinas, que representam apenas 7% das plantas, mas respondem por 76% da capacidade produtiva localizados principalmente nos estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, que lideram em número de unidades e volume instalado.
Rafael González, diretor-presidente do CIBiogás, diz que o crescimento reflete um cenário de amadurecimento do setor, impulsionado principalmente pela melhora do ambiente regulatório, pela maior atratividade econômica dos projetos e pelo fortalecimento das cadeias agroindustriais, de saneamento e de resíduos sólidos urbanos. “Outro importante aspecto, e que vai contribuir com o crescimento do mercado, é a Lei 14.993/2024, conhecida como Combustível do Futuro, embora estamos falando do ‘combustível do presente’. Trata de incorporar o biometano no mercado de gás natural com um processo crescente e complementar, além do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que abre espaço para um novo mercado do atributo ambiental, requerido pelo setor e mundialmente discutido”, diz. O setor de resíduos sólidos urbanos (RSU) e esgoto lidera em capacidade instalada, com 60% do total nacional. A agropecuária, embora tenha plantas em menor escala, aumentou sua produção em 95% na última década e 70% apenas nos últimos dois anos, consolidando-se como segmento emergente nesse mercado.
O levantamento aponta ainda o avanço do biometano, ou gás natural renovável, obtido a partir da purificação do biogás, uma mistura de gases que têm como origem o processo natural de decomposição de resíduos orgânicos em ambientes onde não há troca de ar — a digestão anaeróbica. O energético tem potencial de substituir o diesel em frotas pesadas e o gás natural em operações industriais. O Brasil já soma 79 plantas com tecnologia de purificação, sendo 54 em operação e 25 em implantação, com capacidade total de 667 milhões de Nm³/ano. Este volume poderia evitar o consumo de 1,1 milhões de caminhões. A expectativa para os próximos anos é otimista: a oferta de biometano poderá triplicar até o fim de 2026, com crescimento de 107% em 2025 e 193% no acumulado até 2026, impulsionado pela entrada de 30 novas unidades. Contudo, isso dependerá se todos os projetos em fase de autorização ANP forem concluídos.
Fonte: Valor Online
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