A expansão da infraestrutura de gás natural não se refletiu em aumento de margens das distribuidoras do segmento, mas em ganhos de produtividade e financeiros que refletiram o crescimento da rede no país, de acordo com estudo encomendado pela Abegás. O estudo, produzido pela empresa de consultoria Quantum, a pedido da associação, visa desmistificar a ideia de que investimentos na rede de distribuição, em busca da universalização, acrescentam custos sem resultados concretos. A rede de distribuição de gás cresceu mais de 1.000% em 25 anos, passando de uma malha de 4 mil quilômetros de extensão em 1999 para mais de 45 mil quilômetros em 2024, segundo o estudo. Entre 1998 e 2024, o volume de gás natural distribuído cresceu 377%, passando de, respectivamente, 11 milhões de m³/dia para 52,5 milhões de m³/dia. Entre 2011 e 2024, o número de usuários passou de 2 milhões para 4,7 milhões.
O trabalho aponta uma série de desafios para a expansão do uso de gás natural, entre barreiras regulatórias, tarifárias e de infraestrutura. Por outro lado, a análise ressalta que a expansão da infraestrutrura pode permitir a formação de novos mercados, a integração de mais consumidores ao sistema energético e a redução da margem máxima de distribuição, com a diluição dos custos de rede por uma base maior de clientes. “Temos muito a caminhar no Brasil. E isso só se faz com novos investimentos”, disse o presidente-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça. “Sabemos o quanto o gás natural pode representar em termos de redução de emissões em substituição ao diesel. Esse é um segmento que apostamos muito”, disse Marcos Lopomo, diretor econômico [1] regulatório da Abegás.
Com investimentos anuais da ordem de R$ 1,2 bilhão por ano, as distribuidoras de gás natural querem apostar na expansão, afirma Mendonça, mas há uma visão de que crescimento de redes onera o consumidor. Nesse aspecto, explicou, a distribuição de gás canalizado é um setor de capital intensivo, o que por definição exige elevados aportes de recursos para a construção (“capex”). Como os custos fixos precisam ser recuperados, afirmou, as tarifas tendem a ser mais altas no início da vida útil dos ativos. Porém, a lógica se inverte no médio e longo prazo com a amortização desses custos e a entrada de um número maior de consumidores, seguindo o conceito de economia de escala. O foco das empresas, salienta Lopomo, está no investimento para atrair consumidores de menor porte, como residências e comércios, menos dependentes do aumento da oferta. Embora tenham consumo de menor porte, residências e comércios agregam nas conexões e na margem das distribuidoras, afirmou Lopomo.
da evolução da rede, a penetração do gás natural no Brasil é inferior a 5%, contra os 65% da Colômbia e os 59% da Argentina. Além disso, aponta o trabalho, a universalização não é homogênea: em Estados como São Paulo e Rio, o gás natural tem penetração acima de 14%, enquanto outras unidades federativas possuem patamares abaixo de 2%. Mendonça explica que o segmento industrial, grande consumidor de gás natural, fica exposto a questões mercadológicas, com reflexos na demanda. Hoje, por exemplo, o consumo de gás industrial está em declínio, o que impacta mais fortemente sobre as demais classes de consumo, de acordo com o presidente-executivo da associação. “O bônus do desenvolvimento, e da diversificação do mercado não foi atingido em todos os Estados. Outra conclusão é que Estados onde tem maior diversificação, como Rio e São Paulo, sofrem menos impacto da variação de outros segmentos”, disse Mendonça.
Fonte: Valor Online
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