A busca por segurança energética em um cenário geopolítico cada vez mais conturbado abre oportunidades para países da América Latina se posicionarem como fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional, avalia Lino Cançado, CEO Eneva. O executivo observou que países e empresas tendem a buscar carteiras mais diversificadas de fornecimento, ao passo em que novos players devem começar a aparecer. Ele citou o exemplo da Argentina, que já tem dois navios de GNL sendo desenvolvidos no país. “Acho que vai ter uma diversificação maior das carteiras para você ficar menos dependente de um outro fornecedor numa zona que, desde antes de Jesus Cristo, está meio em conflito”, afirmou. “É uma oportunidade fantástica para os países que estão aqui na América Latina de serem opções”.
Lino Cançado também defendeu a necessidade de desconcentração do mercado de gás no Brasil, atualmente dominado por um único agente com fatia de 70% a 80% do mercado. “Para quem estudou um pouco a economia, sabe que o mercado perfeito tem um número muito grande de agentes vendendo e um número muito grande de agentes comprando. Se você não tem isso, é difícil chamar de mercado”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que o processo deve ser feito “com responsabilidade e passo a passo” para não inviabilizar projetos já contratados com as premissas atuais. O executivo destacou ainda o papel do gás termoelétrico como solução para a intermitência das fontes renováveis, especialmente a solar. “Você só tem um jeito: adiciona capacidade de resposta imediata”, disse, ressaltando que a flexibilidade do fornecimento de gás tem um custo e deve ser tratada como um mercado distinto.
Fonte: Eixos
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