A Compass, empresa do setor de gás do grupo Cosan, emplacou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa brasileira quebrando um jejum de quase cinco anos sem nenhuma estreia, no maior período de seca em mais de quatro décadas. A operação somou R$ 3,2 bilhões, com a venda do lote principal e parte dos extras. A transação foi integralmente secundária, ou seja, com a venda de ações detidas por acionistas. A companhia chega, com isso, avaliada em R$ 20 bilhões na B3.
A Compass estreará suas ações na próxima segunda (11). A ação foi batizada com o ticker “PASS” e será listada no Novo Mercado, segmento de listagem da B3. Para se ter uma dimensão temporal, os últimos IPOs na B3 ocorreram ainda em 2021 e em momento de isolamento social na pandemia, sendo que a comemoração para a estreia dessa empresa, com o clássico toque do sino, ocorreu majoritariamente on-line. Dessa vez, a expectativa é de casa cheia na sede da bolsa. A ação foi precificada em R$ 28, no piso da faixa indicativa de preço, que foi estabelecida em até R$ 35. Foram vendidas, no total, 89.285.714 ações, o correspondente à oferta base. Foram ainda alocados R$ 375 milhões do lote suplementar e R$ 325 milhões do adicional (correspondente à 25% do total disponibilidado). Foram coordenadores da oferta BTG Pactual, Bank of America (BofA), Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, J.P. Morgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. A oferta atraiu investidores estrangeiros em massa, que estão buscando diversificação de seus portfólios. Conforme fontes, houve a entrada de investidores de longo prazo, com presença de nomes globais e não apenas os dedicados a países emergentes, assim como fundos soberanos.
Segundo fontes, a operação também marca a chegada firme de investidores de longo prazo em investimento direto em uma companhia e não de forma passiva, como tem sido marcada a entrada do fluxo estrangeiro na bolsa local, que tem ocorrido predominantemente via os fundos de índices (ETFs).
A oferta da Compass foi grande o suficiente para atrair esses investidores, que exigem ações com mais liquidez. Outro ponto relevante é que a empresa é vista como a “joia da coroa” do grupo Cosan, de um setor apontado como defensivo, além de ter baixa alavancagem. A Cosan, que fez a oferta em meio ao seu processo de redução de endividamento, foi a principal vendedora na oferta e levantou parte relevante do total da operação. Foram vendedores também Atmos, Bradesco Previdência, Brasil Capital, Manaslu e Manzat. A operação foi lançada em um ambiente de alta volatilidade dos mercados sobre o contexto da Guerra no Irã. Por isso, a operação ficou por semanas em negociação e conversa com investidores até que pudesse ir para a rua já garantida. Assim, a oferta foi lançada “coberta”, ou seja, com demanda “na largada” para poder ser concluída.
Dada a volatilidade, investidores estão pedindo um maior desconto de preço e se mostram mais seletivos. A cautela sobre uma previsão de uma retomada mais firme de IPOs decorre a despeito da forte entrada de capital estrangeiro na bolsa, que tem beneficiado as empresas mais líquidas. Além de ter que driblar a volatilidade, o IPO da Compass passou por outro desafio no meio do processo. A operação foi lançada apenas após um acerto entre Cosan e o Bradesco, que são sócios na Cosan Dez, veículo que detinha 88% da Compass. Antes da oferta, o Bradesco aceitou a cisão desse veículo, momento em que a Cosan passou a deter parte de sua participação, de 20%, de forma direta. Com a venda na oferta, passa a deter cerca de 10%. A companhia foi criada a partir da compra da Comgás pelo grupo Cosan, que ocorreu em 2012, sendo que a Compass, como uma nova plataforma de negócio, foi lançada em 2020. Hoje, atende 3,2 milhões de clientes. No ano passado, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 1,46 bilhão.
Fonte: Valor Econômico
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