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‘Tenho a infraestrutura nas mãos. As cartas estão postas’

É otimista o cenário que Graça Foster traça para a Petrobras em 2014. No ano passado, a estatal conseguiu finalizar nove unidades de produção, que vão elevar em um milhão de barris a capacidade instalada. “O que preciso para fazer a produção crescer eu tenho nas mãos” disse a presidente. O ano novo também será marcante nos investimentos em Libra. A área do pré-sal ganhará gerência-executiva na empresa, com membros indicados pelos quatro sócios. As políticas de aumento de produção, redução de custos e convergência gradual aos preços internacionais dos derivados, para Graça, vão fazer o mercado perceber a empresa de forma adequada. “Definitivamente, não estou satisfeita com o valor dᣠações. Não é um valor nem razoável. Agora, o mercado é assim” desabafou. A seguir, os principais trechos da entrevista à coluna, às vésperas do Natal, no Rio.

FUTURO. “0 amanhã de uma indústria de petróleo é de longo prazo. A gente fechou o contrato de Libra e, possivelmente, o primeiro óleo sai em 2020. Libra pode dar 1,2 milhão de barris no pico, em 2024. Estamos discutindo em 2014 uma produção de óleo relevante em 2023 ou 24. Libra está no calendário de amanhã e de depois de amanhã, porque leva tempo”.

LIBRA – Libra já é uma realidade. A gente tem o mel hor consórcio que poderia, com empresas fortíssimas. Foi muito importante para a Petrobras ter (como sócias) a Total, a Shell e as chinesas, ávidas por petróleo e com atuação financeira tão relevante no mercado global. Vejo como demonstração de confiança na Petrobras e, no mínimo, na situação regulatória estável que o Brasil tem”.

PARTILHA, “O sistema de partilha é diferente (do modelo de concessão), mas, antes dele, o

Brasil nunca teve certeza de acesso a volumes relevantes como se tem no pré-sal. Até setembro de 2013, todas as atividades de perfuração que fizemos tiveram 100% de sucesso exploratório. Esse modelo é adequado ao risco menor”.

MERCADO “0 mercado cobra de uma grande empresa petroleira. Eu, definitivamente, não estou satisfeita com o valor das ações. Não, não. Não é um valor nem razoável. Agora, o mercado é assim. Tenho que demonstrar (o valorda Petrobras) com aumento da produção, com resultado melhor na comercialização. Tenho certeza que, gradativamente, o mercado vai nos perceber de forma adequada”.

PLANEJAMENTO. “A produção de 2014 será maior de forma relevante. Em 2013, cumprimos a meta de construir nove unidades de produção. Isso é muito difícil. O que preciso para fazer a produção crescer eu tenho nas mãos. O ano de 2015 já está definido: Cidade de Ilha Bela, Cidade de Mangaratiba; em 2016, Cidade Carioca. Para 2017, já há seis unidades contratadas. Em 2012, colocamos uma unidade de produção. Em 2011, duas. O saldo para 2014 é de um cenário extremamente positivo, porque tenho a infraestrutura nas mãos. As cartas estão postas”.

PREÇOS. “Não comento o que disse a presidenta Dilma nem o ministro Guido Mantega (da Fazenda). Trato formalmente do resultado da Petrobras no conselho de administração. Eo princípio da política referendada é a busca da recuperação dos indicadores financeiros da companhia em 24 meses. Agente não busca trabalhar nossa ineficiência apenas com aumentos nos preços. Falo, por exemplo, da redução do endividamento pelo Ebitda. Isso passa por aumento de eficiência na produção, redução de custos, busca da convergência com

preços internacionais e administração correta de nossos investimentos. Não é só preço”.

PETRÓLEO. “Quando eu era presidente da BR, os preços aqui estavam mais altos. Em maio de 2013, antes da desvalorização do real, tivemos vários dias com diesel mais caro aqui do que lá fora. Em 2010, tivemos um ganho astronômico, por conta da crise em 2009. Oore/7? saiu de US$ 120 para US$ 45 e a gente não baixou preço no Brasil”.

EMPREGO “Temos 350 mil pessoas trabalhando nos projetos da Petrobras hoje. As descobertas que anunciamos são algo espetacular na sustentabilidade da cadeia de óleo e gás. O Brasil está indo bem na indústria de bens e serviços”.

RIO DE JANEIRO. “0 Estado do Rio tem metade do investimento do plano de negócios da Petrobras. Dos US$ 236 bilhões, tem mais da metade, US$ 130 bilhões. 0 Rio tem 72% da produção de petróleo, tem uma relevância gigante do ponto de vista da produção e recebimento de royalties e tem também uma infraestrutura que estamos sempre ampliando para entrada e saída de petróleo e derivados. 0 Comperj está na mesma linha de produção que a refinaria de PE. O 15 trem é agosto de 2016”.

 
Fonte: o Globo

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