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Petróleo faz baixar superavit comercial

As importações totais somaram US$ 239,6 bilhões, recorde da série histórica, iniciada em 1993. Esse valor foi fortemente influenciado pela “conta petróleo”. O déficit registrado na balança comercial entre a compra e venda de petróleo e derivados chegou a US$ 20,2 bilhões — quase quatro vezes maior que o déficit de US$ 5,3 bilhões em 2012, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Para 2014, a média de 14 economistas ouvidos pelo Valor Data projeta superávit de US$ 9,8 bilhões. A recuperação — ainda modesta — virá, em parte, de melhores resultados na balança de petróleo e derivados. Também ajudarão nesse desempenho o câmbio mais depreciado e a demanda interna contida, que estimulará menos as importações. No quarto trimestre, o resultado já refletiu essa mudança.

Câmbio e Petrobras devem impulsionar resultado de 2014

A melhora do resultado do setor de petróleo, a desvalorização cambial, a manutenção do patamar de exportações e a estabilização do crescimento das importações deve fazer com que o Brasil tenha, em 2014, um resultado melhor do que o do ano passado no comércio exterior. De acordo com a média de 14 economistas ouvidos pelo Valor Data, a previsão é que neste ano a balança comercial registre superávit de US$ 9,8 bilhões, abaixo da média dos últimos anos, mas melhor do que 2013, que registrou superávit de US$ 2,5 bilhões de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A média de analistas mais especializados em comércio exterior ouvidos pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, apresenta superávit um pouco mais baixo, de US$ 8 bilhões. Há, contudo, quem destoe e veja déficit comercial em 2014.

Para Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento da UERJ (CEDES/UERJ), a maior desvalorização do real frente ao dólar e a recuperação na exportação de petróleo devem contribuir para um superávit entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões em 2014. Segundo ele, um dólar médio mais alto que o atual deve fazer com que as importações percam ritmo. Ao mesmo tempo, a produção de petróleo deve ser restabelecida, o que vai propiciar uma melhora na balança do produto e seus derivados.

Em 2013, contando os registros atrasados do relativos ao ano anterior, a balança de petróleo e derivados registrou déficit de cerca de US$ 20 bilhões segundo o Mdic. Para este ano está sendo esperada uma diminuição substancial desse saldo negativo por Lia Valls, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV). “A balança total terá superávit de US$ 8 bilhões, ajudada em grande parte pelo aumento da produção de petróleo”, avalia.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) estima superávit de US$ 7,2 bilhões, resultado de exportações de US$ 239 bilhões (semelhante ao de 2013) e de importações de US$ 231,8 bilhões. Em parte, a estabilidade nas vendas externas virá de preços menores. Nas estimativas da AEB, o preço médio do minério de ferro deve cair de 3% a 5% neste ano, em comparação aos preços médios do ano passado. Na soja, o recuo deve ser maior, de cerca de 8%. José Augusto de Castro, presidente da associação, avalia que a produção de soja brasileira deve ser maior este ano, mas as safras dos Estados Unidos e da Argentina também devem ter bom desempenho. “Haverá grande oferta do grão e os preços devem cair.” Em termos de volume, porém, diz Castro, a demanda da China por minério de ferro e soja deverá se manter estável.

A previsão da Tendências Consultoria também é de um saldo positivo de US$ 8 bilhões, mas ele vira de um crescimento das exportações para US$ 248 bilhões (4%) e importações quase estáveis, em US$ 240 bilhões, com o saldo positivo tendo maior impacto via solidificação da desvalorização cambial observada ao longo de 2013. “O cenário de crescimento doméstico fraco para o ano que vem, de 2%, não vai favorecer o incremento das compras externas”, afirma o economista Silvio Campos Neto.

Em parte, o resultado da balança comercial do último trimestre de 2013 já refletiu uma mudança no ritmo das importações e exportações. As importações, que cresceram 8,7% até setembro, aumentaram 3,6% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2012. Já as exportações, que recuaram 1,6% até setembro, fecharam o último trimestre com crescimento de 4,1 %.

Ricardo Markwald, diretor-geral da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), diz que a evolução um pouco mais favorável da economia mundial e o crescimento doméstico mais modesto vai ajudar a estabilizar o nível de importações e manter a demanda e os preços das commodities que o Brasil vende.

Na avaliação do governo, as exportações serão ajudadas, de novo, pelas plataformas e, também, pela produção de petróleo. Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior do Mdic, acredita na melhora na conta petróleo em 2014. Ele aguarda também um câmbio mais favorável em 2014 com “uma média maior do que a de 2013 e mais estabilidade, o que é muito bom para o exportador”.

Por outro lado, o MDIC teme neste ano “uma acomodação de preços de commodities agrícolas em patamares inferiores aos de 2013” e as “incertezas sobre o nível de recuperação das economias americana e da zona do euro”.

A preocupação de Godinho é a principal razão para a voz discordante em relação à perspectiva de saldo positivo para o comércio exterior neste ano. A GO Associados espera déficit de até US$ 5 bilhões e Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da consultoria, justifica essa projeção pela perspectiva de queda dos preços das commodities, especialmente da soja.

Minério de ferro e produtos siderúrgicos também vão render menos à balança, que vai registrar ampliação do déficit do setor químico, que foi de cerca de US$46 bilhões no ano passado. “Como os preços das commodities estavam altos nos últimos anos, há um aumento da produção com estabilização da oferta. Esse é um fenômeno cíclico que começa a acontecer em 2014”, diz Silveira.

 
Fonte: Valor Econômico

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