Os contratos futuros do petróleo tiveram forte recuo nesta quinta-feira (23), dia de maior desvalorização para a commodity desde a véspera de Natal, quando também prevalecia uma onda de aversão a risco em escala global. Hoje, os preços fecharam a sessão nos menores níveis desde março. Os contratos do Brent para julho recuaram 4,54%, para US$ 67,76 por barril, na ICE em Londres e os preços do WTI para o mesmo mês cederam 5,71%, para US$ 57,91, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).
Pesam sobre o preço do petróleo preocupações tanto do lado da oferta da commodity quanto da demanda. Na quarta (22), os dados oficiais do Departamento de Energia dos EUA indicaram um aumento inesperado, de 4,7 milhões de barris, nas reservas americanas, atingindo o maior nível em 22 meses, na semana passada. O número contrariou a expectativa dos economistas consultados por “The Wall Street Journal”, de queda de 1,4 milhão para o período.
Nesta quinta, as crescentes preocupações com a demanda global por petróleo, que tende a diminuir em meio às disputas comerciais entre Estados Unidos e China, começam a produzir impactos na economia, pressionando para baixo os preços dos contratos futuros. “Se as disputas comerciais seguirem em escalada, teremos queda ainda maior”, diz James Hatzigiannis, sócio sênior de commodities do Long Leaf Trading Group.
Carsten Fritsch, analista de energia do Commerzbank, atribui as fortes quedas às tensões comerciais, aos dados econômicos fracos da Alemanha e à onda de vendas nos mercados acionários globais. O analista defende, no entanto, que os mercados financeiros exageraram na reação aos dados de estoques dos EUA, uma vez que a oferta global segue apertada, de forma que ele espera uma recuperação dos preços em breve.
Fonte: Valor Online
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