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Fundos se aliam a distribuidoras por Liquigás

Fundos de investimento e empresas do setor de distribuição de combustíveis negociam a formação de consórcios para fazer ofertas pelo controle da Liquigás, distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) que a Petrobras colocou à venda pela segunda vez. Propostas não vinculantes devem ser entregues no dia 7 de junho, de acordo com duas fontes.

Ao menos nove grupos já acessaram os dados do processo de venda da Liquigás, apurou o Valor. As operadoras Ultragaz, Nacional Gás, SHV, Copagaz, uma trading estrangeira, e os fundos de private equity CVC Capital Partners, Advent, Carlyle e Warburg Pincus estão avaliando o ativo.

A restrição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que grandes empresas do setor adquiram a Liquigás abriu espaço para que os investidores financeiros tenham chance no processo desta vez. No primeiro processo de venda feito pela Petrobras, em 2016, a Ultragaz levou a empresa por R$ 2,8 bilhões, mas no ano passado a transação acabou vetada pelo Cade, que enxergou grande concentração nesse mercado. Na ocasião, o grande interesse elevou os preços e acabou afastando os fundos de investimento da transação.

Agora, para atender à restrição do Cade, a Petrobras limitou a 30% a participação das distribuidoras na formação de consórcios.

Os fundos podem entrar sozinhos, mas avaliam que em parceria suas chances aumentam.

“Com um estratégico ao nosso lado, que tenha sinergias a capturar, temos chance de oferecer um preço maior e sermos mais competitivos”, diz o gestor de um fundo que avalia o ativo. “Se não conseguirmos fechar uma parceria, devemos ficar de fora”, completa o executivo.

A parceria é relevante também para assegurar a gestão do negócio. “Tem que ter ‘management’, já entrar com gestão pronta”, diz o executivo de uma outra gestora. “Estamos avaliando ainda a questão de liquidez, se teríamos saída simples desse investimento”, complementa outro gestor que avalia os dados, mas que ainda não engajou equipe para efetivamente fazer proposta.

A estatal permitiu a participação de investidores financeiros que tenham ativos sob administração ou gestão de pelo menos US$ 1 bilhão. Para as empresas, a receita bruta tem que ser acima de US$ 100 milhões.

Em maio, os potenciais interessados assinaram com a Petrobras um acordo de confidencialidade para ter acesso ao memorando com informações do ativo. Ainda não foram feitas propostas até o momento. A Ultragaz havia se disposto a pagar R$ 2,8 bilhões pela Liquigás. A Petrobras espera arrecadar pelo menos algo em torno de 70% deste valor, na projeção de analistas de investimento. A companhia chegou a avaliar fazer uma oferta de ações da Liquigás, após o veto do Cade, mas acabou se decidindo por uma nova rodada de venda direta. A avaliação dos bancos era que o tamanho da companhia tornava pouco atrativo uma abertura de capital.

A Liquigás atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de GLP em 23 estados. A empresa atende mensalmente mais de 35 milhões de consumidores residenciais e fornece produtos para indústria e comércio.

 

Fonte: Valor Econômico

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