Um relatório divulgado nesta segunda-feira (1º/7) pela rede Global Energy Monitor alerta que os novos investimentos em terminais de GNL em todo o mundo podem inviabilizar o cumprimento das metas de redução do uso de energia gerada a partir de fontes fósseis, previstas no Acordo de Paris. Segundo o documento “The New Gas Boom – Tracking Global LNG Infrastructure”, pelo menos 202 projetos de terminais de GNL estão em desenvolvimento em todo o mundo, incluindo 116 terminais de exportação e 86 de importação. Somando um investimento de US$ 1,3 trilhão, esses projetos poderiam triplicar a capacidade global de exportação de GNL.
De acordo com o relatório, os novos investimentos em GNL vão contra as recomendações do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC, sigla em inglês), que apontam para a necessidade de diminuir o uso de gás natural em 15% até 2030 e 43% até 2050, para limitar o aquecimento global em 1,5 grau Celsius neste século com relação aos níveis pré-industriais.
A Global Energy Monitor alerta ainda que, se os projetos de infraestrutura na área de GNL forem adiante e as metas de redução de emissões forem cumpridas, o setor energético se arrisca a perder os investimentos, gerando “ativos encalhados”, em equipamentos e estrutura sem aproveitamento.
A organização acredita que a expansão do mercado de GNL poderia ter um impacto maior do que o carvão no aquecimento global, em função das emissões fugitivas de metano em todas as etapas do processo, da extração ao fornecimento de gás. O metano é o principal componente do GNL e responde por 25% da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
Os países com mais investimentos previstos na expansão da infraestrutura de GNL são os Estados Unidos (US$ 507 bilhões) e Canadá (US$ 410 bilhões), seguidos por Rússia (US$ 86 bilhões), Austrália (US$ 38 bilhões), Tanzânia e China (US$ 24 bilhões cada).
No Brasil, o Ministério de Minas e Energia estima que a ampliação da rede de distribuição de gás natural no país deve representar investimentos de R$ 32,8 bilhões até 2032. O investimento em infraestrutura é considerado chave para alcançar o objetivo de redução de até 40% no preço do gás natural no país nos próximos anos, de acordo com a proposta do governo federal no programa Novo Mercado de Gás.
Fonte: Brasil Energia
Related Posts
Petronas e MISC firmam acordo para transporte de GNL
A Petronas assinou um contrato de afretamento por tempo de 20 anos com o grupo MISC para cinco novos navios transportadores de GNL com capacidade de 174 mil m³. O acordo foi assinado pelo CEO da Petronas,...
Segundo navio de GNL do Catar segue por Ormuz rumo ao Paquistão, mostram dados
Um segundo navio do Catar carregado com gás natural liquefeito (GNL) atravessa o Estreito de Ormuz poucos dias após a passagem da primeira carga sob um acordo envolvendo Irã e Paquistão. O movimento reforça...

