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Venda fracionada de GLP não garantirá queda nos preços, diz Sindigás

A liberação da venda fracionada de gás liquefeito de petróleo (GLP) e a venda de botijões sem marca, ambas as propostas em estudo pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), não garantirão a queda dos preços do botijão de gás para os consumidores, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás).

O órgão regulador avalia, desde o ano passado, a permissão para que o cliente encha de forma parcial o botijão, sem ser obrigado a comprar o cilindro cheio, como ocorre hoje. Segundo o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, o modelo atual impacta particularmente as famílias de baixa renda, que chegam ao fim do mês sem recursos para comprar um botijão completo.

“O GLP é um produto de escala, qualquer produto vendido em menor quantidade, seja ele um botijão, seja ele um Cream Cracker, é mais caro por quilo. Além disso, o enchimento fracionado exigiria o desenvolvimento de novas embalagens, que podem custar entre 50% e 120% mais, segundo estimativas dos fabricantes”, afirma o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello.

Ele defende a necessidade de a liberação passar por um rigoroso estudo de impacto regulatório. E destaca que o abastecimento de GLP é uma atividade de alta periculosidade que não comporta “experimentações”.

Mello explica ainda que cerca de 120 milhões de botijões circulam, hoje, pelo mercado brasileiro, mas que eles não estão aptos a operarem com preenchimento fracionado.

“O conjunto de válvulas desses botijões não está preparado para o enchimento fracionado. Precisaríamos criar outras embalagens para enchimento seguro em locais não industriais”, disse.

O Sindigás também questiona a proposta de permitir a venda de botijões sem a marca do distribuidor. Hoje, uma distribuidora não pode encher o botijão de uma marca diferente da sua. Esse modelo é entendido como uma barreira à entrada de novos agentes que não possuem uma infraestrutura consolidada no mercado brasileiro, para operar essa troca de cilindros com os concorrentes.

Bandeira de Mello, contudo, acredita que a estrutura atual é o que sustenta a segurança e confiabilidade da indústria de GLP no Brasil, já que é a marca estampada nos cilindros que permite identificar as empresas responsáveis por eventuais não conformidades.

“Se rompermos com o sistema de marcas, todas as empresas vão interromper os seus sistemas de manutenção. E não será possível responsabilizar as empresas por eventuais acidentes”, comenta Bandeira de Mello.

 

Fonte: Valor Online

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