A abertura do mercado de gás no Brasil ganhou mais pontos de incertezas depois da pandemia do novo coronavírus, o que traz mais dificuldades para que os conselhos das empresas aprovem novos investimentos, segundo a vice-presidente para o mercado de energia da Equinor no Brasil, Claudia Brun.
“As coisas já estavam desafiadoras antes da pandemia. Com o cenário do [preço do] petróleo derretendo, as previsões para investimentos hoje estão mais exigentes. Quanto mais incertezas, mais desafiadoras serão a aprovação de projetos”, disse a executiva.
Claudia elogiou a atuação ativa do banco de fomento para desenvolver soluções que viabilizem o gás natural no Brasil. “A constatação do banco foi de que precisamos de âncoras de demanda que possam justificar vultosos investimentos. Sem contratos de longo prazo para lastrear investimentos fica difícil convencer os boards (conselhos) que os projetos de upstream e midstream aconteçam”, afirmou.
A executiva da Equinor também defendeu uma maior empoderamento da ANP, que tem ampla agenda regulatória. “A ANP vai precisar de recursos humanos e também financeiros”, afirmou.
Também no seminário, Alexandre Cerqueira, da Shell Energy, lembrou que há a necessidade de investimentos “bilionários” em novas rotas que garantam o escoamento do gás, mas ressaltou que não há sinalização de volumes em quantidade e nos prazos necessários para garantir segurança para que os agentes façam os investimentos.
Rodrigo Costa, da Petrobras, citou os diversos desinvestimentos que a estatal fez no setor, mas reforçou a necessidade de regulação para aprimoramento da área e lembrou que é fundamental haver harmonização com a atuação do setor elétrico.
Marcos Faria, superintendente de petróleo e gás natural da EPE, afirmou que a instituição tenta se antecipar a problemas sobre o uso de gás no mercado elétrico. Ele ressaltou que a EPE tenta ajudar a alavancar a demanda e frisou que não se deseja criar “ilhas de geração”. Ele foi mais um a ressaltar a necessidade de expansão da demanda e afirmou que a EPE enxerga possibilidade de crescimento, mas a ocupação do gás no setor elétrico tem que se dar através da demanda do próprio setor.
Fonte: Valor Online
Related Posts
Mais de R$ 100 milhões em investimentos marcam nova etapa de avanço da SCGÁS em 2026
A SCGÁS inicia o ano com um plano de expansão que combina crescimento da rede, conexão de novos clientes e reforço da infraestrutura em diferentes regiões de Santa Catarina. A Companhia prevê investir R$...
Debate sobre concessão da CEG e CEG Rio é novamente adiado
As discussões sobre o reajuste anual das tarifas de gás no Rio de Janeiro e a renovação das concessões da CEG e da CEG Rio, controladas pela espanhola Naturgy, foram adiadas novamente pela Agência...

