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Resumo do webinar sobre inovação aplicada ao gás natural

Apresentar e debater as principais inovações aplicadas no setor de gás natural no Brasil. Este foi o tema do webinar promovido pela SCGÁS no dia 17 de julho e cujos conteúdos foram apresentados por representantes da Companhia de Gás do Ceará (Cegás), da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) e da fabricante de caminhões e ônibus Scania.

Confira alguns dos principais trechos do webinar:

Projeto COMGAS 4.0

FÁBIO SALÚ, Engenheiro formado em Tecnologia da Construção Civil e Engenharia Civil, atua no projeto Comgas 4.0.

O Projeto COMGAS 4.0 tem como objetivo proporcionar uma melhor experiência para os nossos clientes com uma distribuição de gás ininterrupta e confiável, intensificando o foco em segurança e alavancando a eficiência operacional, além de gerar ideias estratégicas a partir da análise de dados em tempo real.

Este projeto é o maior em termos de investimento da história da nossa Companhia no que tange à telemetria e automação. Nele foram aplicados mais de R$ 50 milhões. Ele visa a uma operação mais conectada para a obtenção de melhores resultados, com transmissão de dados mais confiáveis, tecnologias e sistemas de análises que resultem em tomadas de decisões mais eficientes.

Os principais benefícios desse projeto são: maior eficiência e segurança operacional, modernização de instrumentos e sistemas, aumento da integração entre áreas, sistemas e operadoras; gestão de 100% do consumo (com identificação do perfil do cliente), maior satisfação do cliente (com uma relação mais proativa e tratamento mais personalizado), melhor inteligência de dados (usando-os a favor de uma operação mais segura e eficiente) e maior controle gerencial.

Em sua implantação, decidimos que o ideal seria dividir esse projeto em ondas. Ele foi concebido em 2018 e sua primeira onda ocorreu em 2019 com a construção de seus alicerces, sua infraestrutura e aprendizado inicial. Nesse momento estamos vivendo a 2ª onda, cujo objetivo é transformar a operação em um processo seguro e eficiente. Esperamos que até 2022 estejamos vivendo a 3ª onda, quando toda a operação estará 100% integrada e operando de forma eficiente.

Nós da COMGÁS sabemos que não existe transformação sem pessoas engajadas, comprometidas e integradas como o principal ativo do processo. Por isso, o projeto COMGÁS 4.0 envolve pessoas, além de processos, sistemas e resultados. Tudo precisa estar integrado, numa gestão focada na mudança.

Projeto de Medição Remota para Clientes Residenciais

DIEGO CECCARINI CASTILHO, Gerente de Operação e Medição da COMGÁS

Este projeto da SCGÁS visa a instalação de aparelhos nos medidores já existentes para fazer a leitura remota nas residências dos nossos clientes, dispensando a necessidade da visita mensal dos leituristas, como ocorre atualmente. Hoje estamos com o projeto piloto já com 70 mil sensores instalados. Ano que vem serão 200 mil e, a partir daí, 350 mil por ano.

Outro objetivo do projeto é trazer um melhor refinamento dos dados, disponibilizando o acesso às informações de consumo por hora de cada cliente, ao invés da informação do consumo mensal. É preciso transformar todos estes dados disponíveis em informação e extrair o máximo de valor deles, com a aplicação de algoritmos e o uso de inteligência artificial.

O acesso aos novos dados também beneficia a questão da segurança operacional, pois com eles será possível detectar eventuais vazamentos com base no histórico de consumo dos clientes.

Outra vantagem é o baixo custo para a obtenção dos dados, tanto em termos de investimento quanto de operação. Esse custo precisa ser inferior ou estar próximo ao custo atual da leitura física.

Ainda é possível destacar a questão da autonomia. Não faria sentido realizar toda essa instalação se ela não tiver uma durabilidade razoável. A Comgás tem 1 milhão e 300 mil medidores. Se tivéssemos que substituir as baterias de todos os medidores constantemente seria uma operação bastante complexa. Por isso,  vida útil tem que ser muito grande.

Dentre os benefícios do projeto especificamente para as áreas de marketing e vendas está a otimização do perfil de consumo dos clientes para um melhor direcionamento das ações de vendas e a possibilidade de tarifação inteligente, de acordo com o horário e faixa de consumo. Com isso, será possível reduzir os custos com leituristas e emissão de faturas.

Outra ideia é que, num futuro próximo, o cliente possa ver – em tempo real  ou pelo menos diariamente – como anda o seu consumo e, deste modo, projetar a fatura do final do mês ou mesmo definir um limite de consumo. A empresa estará apta a enviar um alerta ao cliente quando esse limite for atingido. O consumidor também poderá avisar a companhia sobre suas viagens para que seja possível detectarmos eventual consumo indevido no período, o que pode indicar vazamento de gás. Ou seja, com informação completas podemos trazer novas experiências e muitas vantagens para os nossos clientes.

Projeto Injeção GNR (Gás Natural Renovável – Biometano) no sistema de distribuição

DALTON BARBOSA DO NASCIMENTO, Engenheiro de Automação e Controle, com especialização em Gestão de Projetos e Inovação. Gerente de O&M da CEGÁS.

Gostaria de compartilhar com vocês a experiência que a CEGÁS teve em relação à injeção do biometano na rede, assunto que gera muita discussão no Brasil e é alvo de muitos questionamentos. Viemos aqui para desmistificar esse assunto através da experiência obtida com a nossa iniciativa pioneira.

O nosso desafio era injetar gás na rede sem alterar a qualidade e garantindo segurança operacional.

O projeto foi dividido em quatro partes: a construção de uma Estação de Transferência de Custódia (ETC) dedicada para injeção de gás biometano, a construção de um gasoduto de 23 quilômetros e a montagem e instalação de um CRM – neste caso gostaria de destacar uma característica diferenciada, já que realizamos o mix (blend) no ponto de entrega do cliente. Por último, teve a injeção do biometano na rede de distribuição.

A autorização ANP veio em maio 2018 e, em junho, já estávamos realizando trabalhando no projeto.

Era preciso analisar o que poderia dar errado com o metano quando misturado ao gás natural. Havia muitas incertezas, como a instabilidade na produção de biometano e seus reflexos, questões envolvendo a mistura, a instalação de dispositivos de controle no ponto de injeção da rede, a instabilidade de fornecimento, etc. Diante das dúvidas, foi criado um plano considerando os eventuais riscos, como maior controle do volume no ponto exato de injeção, além de ajustes na pressão na rede.

A Cegás tem mostrado que é possível operar com tranquilidade com o biometano no sistema de distribuição, levando em conta todas as medidas necessárias. Alcançamos várias melhorias e benefícios com este projeto, entre eles a retirada de 50 toneladas de metano – que iriam para a atmosfera – por dia, além da conversão de resíduos sólidos em energia renovável, contribuições importantes para o meio-ambiente.

Nossa produção hoje é de 84 mil m³ por dia de GNR, com possibilidade de ampliação para 150 mil m³ (capacidade do aterro), o que pode fazer desta a maior obra do Brasil no setor de GNR.

Entrada da frota pesada da Scania no mercado de gás

PAULO GENEZINI, Engenheiro Mecânico responsável pela área de pré-vendas da Scania no Brasil

Na Scania hoje estamos vivendo um momento em que acabamos de introduzir no mercado uma nova geração de caminhões a gás. Isso representou para nós o maior investimento da história da empresa na planta de São Bernardo do Campo: foram 2 bilhões e 600 milhões de investimento.

Num evento de lançamento ocorrido na Europa, o CEO da Scania, Henrik Henriksson, declarou que o propósito da empresa é “liderar a mudança para um sistema de transporte sustentável”. E posso afirmar: isso não é simplesmente um discurso, é o propósito que baliza todas as ações da empresa.

A Scania entende que há três pilares fundamentais para conduzir essa mudança: a eficiência energética, o transporte inteligente e seguro e os combustíveis alternativos. E quando se fala em combustível alternativo, a empresa apostou no gás natural, que na nossa opinião é a vocação do país. Existe produção eficiente e crescente de gás no Brasil, com uma infraestrutura que se desenvolve cada vez mais em termos de capilaridade. Tudo isso vai pressionar o preço do gás para ser ainda mais competitivo, inclusive em relação ao diesel.

Nós temos a tecnologia, mas precisamos que todos os elos deste mercado estejam juntos neste desafio: os compradores de serviços de transportes, as transportadoras e as empresas de infraestrutura de gás. É fundamental o comprometimento de todos para o progresso deste setor. Precisamos principalmente que seja estabelecida uma estrutura para o abastecimento dos caminhões movidos a gás nas diversas rotas que existem no Brasil. Nós temos conversado muito com estes parceiros e tem funcionado. O que a gente acreditou realmente está acontecendo e vai se intensificar.

Desde março de 2020 a Scania passou a produzir o caminhão a gás aqui no Brasil. Já temos 28 unidades vendidas e muitas cotações em andamento. O motor é 100% a gás e isso faz com que o desempenho do caminhão seja similar ao do diesel. Toda a engenharia do motor foi elaborada para isso. Os motoristas afirmam que não sentem diferença na condução do caminhão a gás em relação ao movido a diesel, pois ele não perde em subida, em retomada. Exceto pelo fato de o motor a gás ser muito mais silencioso. E tem ainda o fato da economia: já conseguimos comprovar que o custo pode ser até 17% menor (custo operacional por quilômetro em caminhões similares na mesma rota e carga). E há também toda a questão ambiental envolvida, que pesa bastante e é muito importante.

O motor à gás da Scania é um motor dedicado, 100% a gás. Isso faz com que o desempenho do caminhão seja similar ao do diesel, praticamente igual. Aqui toda a engenharia do motor foi ajustada para o combustível gás. Quando você transforma um motor a diesel para o gás não vai alcançar a mesma performance nem ter a mesma resposta em termos de eficiência e desempenho. Há uma perda de potência, de torque.

O motor à gás Scania é 100% dedicado e por isso a gente consegue entregar o mesmo desempenho de um diesel. O motor funciona tanto com o gás natural quanto com o biometano, e também com uma mistura dos dois. O importante aqui é o componente metano que está presente nos 2 gases.

Existe ainda o mito de que o motor a gás é mais fraco, que perde em termos de desempenho em relação ao diesel. Uma das origens disso é que lá atrás nas primeiras versões do motor a gás havia de fator uma diferença grande mesmo em desempenho. Se sentia isso na condução do veículo. Já na geração seguinte de motores essa diferença já diminuiu, mas o torque ainda não era igual. E essa nova geração que nós trouxemos para o Brasil é um motor a gás que já atende à legislação Euro6 e que igualou o torque máximo do motor à diesel. O depoimento dos motoristas é de que hoje eles realmente não sentem mais qualquer diferença na condução: não perdem em subida, não perdem em retomada, não identificam que estão dirigindo um motor à gás ou mesmo menos potente. Exceto pelo fato de que o motor à gás é muito mais silencioso do que o à diesel. Em termos de desempenho ele não deve nada.

Nós temos a solução do Gás Natural Comprimido – GNC – que está armazenado nos cilindros, e nós temos algumas combinações de cilindros, a maior dela com capacidade para 944 litros, onde eu consigo colocar de 200 a 230 m3 de gás. O caminhão tem 2 bicos de abastecimento, um deles é o ABNT1, que é o mesmo que o posto de gasolina na estrada tem para abastecer automóvel. O caminhão tem também o NGV2, que é maior e com mais vazão. Alguns postos já estão preparados para ele. A vantagem é que, com a vazão maior, o tempo de abastecimento é bem mais rápido.

Temos também a versão do caminhão para o Gás Natural Liquefeito (GNL), cuja única diferença é a forma de armazenamento do gás, que aqui é feita em um tanque criogênico. Essa versão está em teste no Brasil. A vantagem dessa versão é a autonomia que é maior em função do gás aqui estar comprimido. Ainda não temos no Brasil uma rede de postos de abastecimento para atender os veículos movidos à GNL. Na Europa essa rede já está mais desenvolvida.

Nossa fábrica está preparada para construir, nós já temos caminhões rodando com GNL em teste, mas o Brasil ainda não está preparado em termos de infraestrutura.

Fonte: SCGÁS / Comunicação

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