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Biogás pode ser chave para bioeconomia na Amazônia, diz Instituto Escolhas

A bioeconomia tem sido apontada como uma solução para a preservação da Floresta Amazônica, e se torna cada dia mais presente na pauta dos investidores. Mas para desenvolvê-la será necessário levar eletricidade a regiões de difícil acesso, onde as soluções mais óbvias ou são poluentes (térmicas a diesel) ou requerem a destruição da biodiversidade local, como hidrelétricas ou parques eólicos e solares.

Um estudo inédito do Instituto Escolhas aponta o biogás como a melhor opção para a região, por se tratar de um combustível produzido a partir de matéria orgânica, facilmente encontrada na floresta, e que após processado pode se transformar em biometano, um substituto eficiente do gás natural.

“O biometano é excelente rota para estimular a produção de biogás”, diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, um dos agentes ouvidos para a elaboração do estudo inédito do Instituto Escolhas, “Do lixo ao luxo: Biogás na agenda da bioeconomia da Amazônia”.

Para Barral, o biogás poderá concorrer perfeitamente com outras fontes nos leilões de energia do governo – já tendo participado de dois, em 2006 e 2016 -, e na forma de biometano poderia substituir as importações de diesel, o que reduziria as emissões de gases poluentes em 85%.

“O aproveitamento do biogás na Amazônia é uma agenda onde todos ganham. Ganha a população, que vai dar um destino para o lixo que hoje entope os lixões das cidades amazônicas, e ganham as atividades econômicas, que sem a energia não conseguem se desenvolver. É uma agenda que todos saem ganhando, promove o desenvolvimento econômico e resolve um grave problema social”, avalia Sergio Leitão, diretor-executivo do Instituto Escolhas.

O Brasil ainda é tímido na produção de biogás, mais presente em países como Estados Unidos e China, que junto com a Europa concentram 90% da produção global, ou 30 bilhões de metros cúbicos normais (Nm³). Cada Nm³ equivale a 2,07 quilowatts-hora de energia ou 0,69 litro de diesel. Em 2019, a produção brasileira nas 521 plantas em operação foi de 1,3 bilhão de Nm³, sendo 76% a partir de RSU e Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). O estado do Amazonas ficou com apenas 2% desse total.

De acordo com a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), o potencial brasileiro na produção de biogás é de quase três vezes o que produzem os líderes mundiais, ou 84,6 bilhões de Nm³/ano, como informa no estudo. “A Amazônia é uma estufa a céu aberto. É uma capacidade de produção de biomassa gigantesca. A oferta de matéria orgânica é muito maior do que na região Sul, que vem investindo na produção de biogás”, explica o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann.

 

Fonte: Broadcast / Ag.Estado

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