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Bahiagás compra de pequeno produtor e negocia mais contratos

A distribuidora baiana de gás natural, a Bahiagás, saiu na frente de seus pares na busca por novas fontes de suprimento. A empresa começou a receber em julho o gás produzido pela Alvopetro, uma pequena petroleira que construiu no Recôncavo a primeira unidade de processamento privada do país, e se lançou no mercado em busca de novos supridores. A concessionária tem contrato com a Petrobras só até o fim do ano e tem, em sua mesa, hoje, propostas comerciais de seis empresas diferentes.

O presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, destaca que, com a criação do mercado livre de gás, a busca por novas fontes, mais competitivas, se torna mais urgente, afim de que a empresa tenha condições de oferecer aos seus clientes melhores condições comerciais. Ao todo, segundo ele, quatro empresas já solicitaram a migração para o ambiente livre no Estado, dentre as quais a Proquigel, que arrendou a fábrica de fertilizantes de Camaçari, da Petrobras.

O executivo, contudo, vê com bons olhos a consolidação do mercado livre na Bahia. Gavazza explica que a Bahiagás tem interesse de se associar aos novos grandes consumidores livres, para criar um pool para compra conjunta de gás. “Na medida em que esses consumidores criam suas próprias estruturas de comercialização e assumem riscos, ganhamos escala. Quanto maior o volume importado, maior a eficiência econômica e menor a tarifa [de regaseificação do terminal de gás natural liquefeito (GNL) da Bahia]”, comenta.

A companhia atua em diferentes frentes para diversificar as fontes de suprimento, sendo uma delas a importação de GNL. A Bahiagás é uma das interessadas em arrendar o terminal da Petrobras no Estado e busca parceiros com expertise na operação da infraestrutura. Além disso, está aberta aos produtores nacionais, sejam aqueles do pré-sal, sejam os operadores de campos maduros em terra.

A Bahiagás já tem um histórico nessa área. Em 2006, a empresa fechou seu primeiro contrato fora da Petrobras e passou a comprar o gás do campo de Morro do Barro, no Recôncavo – um volume simbólico de cerca de 30 mil metros cúbicos diários. Mais recentemente, a distribuidora deu um novo passo, ao fechar um acordo de longo prazo com a Alvopetro, para compra de até 500 mil m3 /dia do campo de Caburé – o equivalente a quase 15% do tamanho do mercado da Bahiagás, de 3,4 milhões de m3 /dia no primeiro semestre.

A diversificação não trouxe uma redução imediata dos preços, embora o contrato com a Alvopetro seja competitivo. Gavazza explica que, quando o acordo foi fechado, o preço negociado era mais barato do que o fornecido pela Petrobras. O choque de preços do petróleo, contudo, derrubou nos últimos meses os valores praticados pela estatal, que trabalha com um preço de gás atrelado ao do óleo. Com isso, os dois fornecedores passaram a oferecer preços pareados.

O executivo destaca, no entanto, que a busca por fontes alternativas não passa apenas pela equação financeira. Segundo Gavazza, além de custos competitivos, a diversificação é parte também de uma política governamental para estimular a produção de campos em terra. “Esses pilares se conectam, precisamos estimular a revitalização e ampliação dos campos onshore, o que gera empregos e arrecadação de impostos, tudo isso movimenta a economia da Bahia”, disse.

Fonte: Valor Econômico

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