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Indústria poderá investir US$ 31 bilhões em 10 anos

A indústria, e não a geração térmica de energia elétrica deverá ser a principal âncora para a expansão do mercado de gás natural no Brasil. E o setor industrial avalia que, com o gás competitivo, a US$ 7 por milhão de BTU (medida térmica do gás), cerca da metade do preço atual, os segmentos intensivos em energia, como o químico, o siderúrgico e o de papel e celulose, investirão US$ 31 bilhões nos próximos dez anos. “Hoje o preço do gás é o grande gargalo, mas acreditamos estar no caminho”, diz Juliana Falcão, especialista da CNI.

Para o país avançar na competitividade do gás, porém, o setor depende do término da tramitação e sanção presidencial da nova Lei do Gás, aprovada em setembro na Câmara de Deputados e em fase final de apreciação no Senado. Ela será o arcabouço legal do mercado competitivo na oferta, na logística e na demanda. Com a abertura, espera-se queda de preço e um aumento da demanda para sustentar a oferta de 250 milhões de metros cúbicos/dia (m3/dia) em 20 anos, o dobro da atual, originária, principalmente, do pré-sal.

Hoje esse mercado é altamente concentrado pela Petrobras nos dois primeiros segmentos, embora a estatal venha antecipando essa desconcentração por conta própria. A indústria, que é a maior consumidora do combustível no país, mas que tem consumo um estagnado em torno dos 40 milhões de metros cúbicos por dia, nos últimos dez anos, tem papel decisivo nesse processo.

“A indústria de transformação é o lastro para a expansão da demanda do gás natural, e aí entra a siderúrgica, a química e outras na sequência, afirma Fabio Abrahão, diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES. Abrahão descarta a alternativa das usinas termelétricas flexíveis para o papel, opção abraçada por muitos especialistas.

Segundo Abrahão, o BNDES chegou a esta conclusão após estudos aprofundados que incluíram interação com os segmentos econômicos mais intensivos no uso do gás, entre os quais a geração termelétrica ocupa o segundo lugar (indústria e termelétricas respondem por cerca de 90% da demanda total).

Encomendados pelo Ministério da Economia, os estudos, que deverão ser apresentados no começo do próximo ano, apontam a malha ferroviária, existente ou em construção, como primeira alternativa logística para assegurar a interiorização da demanda, antes que essa demanda justifique os pesados investimento para a expansão da malha dutoviária.

Segundo Carlos Thadeu Fraga, CEO da Prumo Logística, a infraestrutura dutoviária brasileira é bastante frágil: conta com apenas 9 mil quilômetros de extensão, enquanto a Argentina tem cerca de 30 mil quilômetros e Os Estados Unidos, ao redor de 500 mil.

Para Juliana, da CNI, a indústria tem potencial para ratificar as conclusões do BNDES, desde que o novo marco regulatório traga a competitividade esperada ao preço do gás. Estudo contratado pela CNI mostra que o gás natural no Brasil é o mais caro em uma lista de 13 países escolhidos, a preços de 2019, superando inclusive o Japão, país que é 100% importador do produto.

Se o preço caísse de US$ 14 por milhão de BTU para US$ 7, como é esperado, a posição brasileira iria para o quinto lugar, atrás de Argentina, Estados Unidos, México e Canadá. A representante da CNI ressalta que o preço do gás está tirando competitividade da indústria brasileira e tornando o país cada vez mais importador em segmentos estratégicos, como o setor químico, maior consumidor de gás na indústria, que está importando US$ 45 bilhões por ano.

A desconcentração da oferta e da infraestrutura é um dos fatores básicos para esse desejado aumento da competitividade do gás natural. De acordo com o gerente executivo de Gás e Energia da Petrobras, Rodrigo Costa Lima, a estatal vem concentrando esforços para reduzir essa participação que até recentemente era monopolista. Segundo ele, o planejamento da estatal é reduzir sua participação no segmento, calculada entre de 75% 80% em 202, para um percentual entre 50% e 55% em 2030.

 

Fonte: Valor Econômico / Suplemento Petróleo e Gás

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