A Abiogás considera como um retrocesso a participação do biogás junto com o carvão mineral no próximo leilão A-5 do governo federal, que acontecerá no dia 16 de setembro.
A entidade pleiteava pela desvinculação do biogás da biomassa junto ao MME e teve a solicitação atendida pela pasta. Entretanto, a minuta da sistemática do leilão, disponibilizada pelo MME, apresenta produto para a participação do biogás junto com o carvão mineral, fato que gerou descontentamento do setor.
Tamar Roitman, gerente executiva da Abiogás, e Gabriel Kropsch, vice-presidente da Abiogás, avaliam que o biogás deveria concorrer junto com o gás natural, porque a operação de uma usina a biogás é similar a uma usina com gás natural. Para a associação, ambas as fontes podem utilizar a mesma infraestrutura de gasoduto e os equipamentos são equivalentes, com a vantagem do biogás ser renovável.
“É um retrocesso que o setor elétrico entenda [o biogás e o carvão] como uma coisa igual. Trabalhamos para que o biogás seja caracterizado como uma fonte de termelétrica a gás natural e compita com o gás, ou seja, para que ele seja uma fonte de geração de gás renovável”, diz Roitman.
Segundo os dirigentes, pela similaridade que existe entre o gás natural e o biogás, o MME deveria considerar que as fontes estivessem no mesmo leilão. A Abiogás pediu uma prorrogação dos prazos de cadastramento das usinas, mas a pasta ainda não deu nenhuma resposta sobre o pedido.
A associação acredita que o biogás poderia suprir uma parte do gás fóssil que está sendo demandado neste contexto de transição energética, mas acredita que para o leilão A-5 poucas plantas de biogás devam participar. O evento seria uma preparação para futuros certames.
“Vemos o leilão como uma forma muito importante para o desenvolvimento da indústria do biogás. Para termos mais fornecedores no Brasil, mais projetos e contratos de longo prazo que viabilizam a construção de novas usinas”, afirma.
No certame, tanto o biogás quanto o carvão terão o valor de R$ 300 por megawatthora( MWh). Já o gás natural terá o preço de R$ 450 por MWh. Kropsch questiona o motivo de o biogás ser mais barato já que a fonte é renovável. “Porque a energia gerada a partir do biogás vale menos que a energia gerada a partir do gás natural? Qual o embasamento técnico desta decisão? (…) Foi feito um leilão emergencial ano passado de R$ 1.400 por MWh e estamos discutindo [o biogás] a R$ 300 por MWh”, indaga o executivo. Segundo ele, o que diferencia uma fonte da outra são os atributos, como ser despachável, armazenável e com previsibilidade de custos. Kropsch acrescenta que colocar no mesmo certame fontes com atributos diferentes gera um desequilíbrio e um sinal errado ao mercado. “Isso não é justo para o investidor e também não é bom nem desejável para o sistema”.
Fonte: Valor Online – 10/05/22
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