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Rystad prevê aumento de 74% na demanda brasileira de gás natural até 2032

Para toda a incerteza no mercado de gás do Cone Sul, a única constante é que a demanda brasileira continuará a crescer substancialmente até 2030 e além. De um mínimo de 69 milhões de MMcmd de demanda no ano passado, esse número deverá aumentar para mais de 120 MMcmd até 2032, um aumento de 74% em nove anos. A maior parte desse aumento na demanda é sustentada pela necessidade de mais gás natural em duas áreas. O setor industrial crescerá de 38 MMcmd para 58 MMcmd, à medida que o crescimento econômico e a substituição de combustíveis aumentarão as oportunidades para o gás natural. O segmento de geração de energia mostrará o desenvolvimento mais significativo, passando de 11 MMcmd para quase 40 MMcmd devido à adição de novas usinas a gás na base da matriz energética e plantas flexíveis para sustentar o crescimento das energias renováveis. Os dados fazem parte de uma análise divulgada pela Rystad Energy.

Ao mesmo tempo, a quantidade de gás associado produzido dos ativos do pré-sal na Bacia de Santos também está prestes a aumentar precipitadamente. Em 2023, o Brasil produziu cerca de 55 MMcmd de gás doméstico. Com projetos em desenvolvimento e descobertas em processo de decisão final de investimento (FID), esse número pode aumentar para mais de 86 MMcmd de produção até 2030. Restrições de infraestrutura levantam questões sobre quanto desse gás poderia ser monetizado ou se precisaria ser reinjetado. O Brasil tem capacidade limitada de gasodutos para trazer o gás associado de volta à costa. “Considerando a profundidade da água e a distância, construir esses gasodutos do zero pode ser proibitivamente caro. De fato, parte desse gás chegará ao mercado, especialmente projetos vinculados às Rotas 1, 2 e 3 e outros como o BM-C-33 da Equinor, que terá seu gasoduto dedicado conectando Raia Manta e Raita Pintada ao continente. No entanto, o destino da maioria dessa produção de gás permanece desconhecido no momento”, disse o diretor executivo para a América Latina na Rystad Energy, Schreiner Parker.

O Brasil agora precisa fazer suas apostas desenvolvendo infraestrutura de regaseificação de GNL ao longo de sua enorme costa, inserindo novas empresas privadas no mercado de gás brasileiro. Na próxima década, espera-se que as importações da Bolívia caiam dos 15 MMcmd observados no ano passado para apenas 1,3 MMcmd até 2032. A Argentina, outro grande comprador de gás boliviano, deve encerrar suas importações este ano devido, em parte, ao declínio na produção de gás boliviano, mas também ao aumento da produção de gás em Vaca Muerta. O país exportador estava produzindo quase 60 MMcmd há uma década e viu os volumes caírem essencialmente pela metade para 32 MMcmd este ano. Daqui a uma década, a produção está prevista para ser de apenas 17 MMcmd, mal cobrindo a demanda doméstica atual da Bolívia de 15 MMcmd. A turbulência política da nação andina pouco fez para resolver a situação, e parece que há mais turbulência no horizonte. Assim, os brasileiros estão tentando se antecipar a essa situação e, conforme previsto agora, essa queda nas importações de gás encanado será substituída por um volume crescente de importações de GNL. Em 2024, o Brasil importou apenas 4,7 MMcmd de GNL; até 2032, esse número deverá chegar a 18,5 MMcmd, e não há escassez de projetos planejados e em construção de regaseificação de GNL surgindo no gigante sul-americano.

A verdadeira questão no futuro é se o gás de Vaca Muerta pode ser competitivo em relação ao preço do GNL que o Brasil está pagando hoje e no futuro. A história de crescimento da produção de gás na Argentina é impressionante. Com um complemento completo de operadores, incluindo a estatal YPF, supermajors como a Chevron e independentes como a Vista, muito capital pode ser investido. A produção de gás deve aumentar em 58,5% de 2023 a 2033, atingindo cerca de 203 MMcmd naquele ano. Assim como no pré-sal brasileiro, houve restrições de infraestrutura em Vaca Muerta, que até recentemente dificultavam encontrar uma rota para exportar esses volumes. No entanto, com a produção aumentando dramaticamente, novos projetos de escoamento estão sendo planejados e executados rapidamente. Se o gás argentino quiser chegar ao Brasil, terá que seguir um dos quatro caminhos: ou revertendo o fluxo das linhas existentes da Bolívia para a Argentina e depois enviando-o pelo gasoduto GASBOL para o Brasil, aproveitando a infraestrutura de gasodutos existente e planejada com pequenas expansões para conectar da Argentina através do Uruguai ao Brasil, conectando diretamente da Província de Corrientes ao estado do Rio Grande do Sul, novamente usando gasodutos existentes, em construção e planejados com alguma expansão necessária, ou, conceitualmente, através de um gasoduto de 500 quilômetros que atravessaria o Chaco paraguaio.

Qual, se algum, desses caminhos o gás de Vaca Muerta seguirá ainda está em debate. Outros têm designs para exportações de GNL da Argentina, e todas as opções para monetizar esse recurso serão examinadas exaustivamente. Qualquer que seja o destino desse gás, serão necessárias grandes injeções de capital para levá-lo ao seu destino. E ainda assim, de uma perspectiva econômica de oferta e demanda de 12 mil metros de altitude, parece que o Brasil pode ser um ajuste natural. A demanda lá continuará a crescer e o suprimento da Bolívia continuará a diminuir. Esses dois fatores por si só contam uma história muito convincente que está sendo percebida por produtores, governos e investidores. Como o mercado de gás do Cone Sul parecerá em uma década ainda não está claro, mas até mesmo os observadores mais míopes podem começar a ver os contornos se desenvolvendo. Se todos esses atores podem se alinhar para mover-se em concerto e remodelar esse mercado regional essencial ainda é uma questão pendente, e levará muita coordenação para alcançar o objetivo final de o gás argentino suprir a demanda brasileira. Mas o jogo está em andamento; agora, o tempo dirá quem sairá vitorioso.

Fonte: PetroNotícias

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