O primeiro leilão de gás natural da União, sob responsabilidade da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), previsto para o fim deste ano, pode ser adiado para o primeiro trimestre de 2026, segundo o presidente da estatal, Luis Fernando Paroli. A informação foi dada durante o seminário Gás para Empregar, realizado pela Fiesp nesta segunda (16), em São Paulo. A realização do leilão é uma das principais metas do MME para dinamizar o mercado de gás natural no Brasil, com a oferta inicial de 300 mil metros cúbicos por dia em 2025, e uma ampliação para 3 milhões de m³/dia a partir de 2026. “Temos a oportunidade de ser um indutor do desenvolvimento do mercado de gás, mas o volume ainda não é tão significativo quanto aquilo que conseguimos colocar de petróleo”, disse Paroli. Os atuais custos de acesso à infraestrutura do Sistema Integrado de Escoamento (SIE) e de Produção (SIP) — operados pela Petrobras — dificultam que o gás chegue a valores competitivos. Segundo o dirigente, as empresas já estão em condições finais de negociação. O objetivo é que esses dois leilões aconteçam no fim de 2025 ou no primeiro trimestre de 2026. Atualmente, a PPSA vende todo o gás da União diretamente à na “boca do poço”, sem leilão, devido ao fato de que a estatal detém a maior parte da infraestrutura de escoamento e processamento. Essa concentração faz com que o valor cobrado pela Petrobras seja determinante para o preço final da molécula, impactando diretamente a competitividade do insumo no mercado brasileiro.
Segundo Paroli, a PPSA negocia três alternativas com a Petrobras: seguir com a venda na boca do poço, mas via leilão; contratar a Petrobras como agente comercializadora exclusiva do gás da União; ou permitir que a PPSA assuma essa função, com uso da infraestrutura da petroleira. Em qualquer dos cenários, o objetivo é reduzir os custos de transporte e processamento, que hoje encarecem significativamente o valor final pago pelos consumidores. A realização dos leilões, especialmente o de longo prazo, é vista como uma oportunidade para atrair novos consumidores industriais, garantir preços mais competitivos e ampliar a oferta de gás nacional, em linha com a estratégia do governo federal de utilizar os recursos do pré-sal para impulsionar o desenvolvimento econômico e a transição energética. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, acrescenta que a perspectiva é que o gás chegue à indústria em torno de US$ 7 ou US$ 8 o milhão de BTUs (unidades térmicas britânicas). Esse patamar é bem mais baixo do preço do gás pago pelo consumidor industrial, entre US$ 13 e US$ 16 o milhão de BTUs.
Fonte: Valor Online
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