A ANP decidirá nesta quinta (26) sobre a unificação dos campos de gás natural do projeto Raia, o que terá repercussão nas participações governamentais pagas pela Equinor sobre a produção prevista para começar no 2º trimestre de 2028. As áreas técnicas da agência rejeitaram a proposta da Equinor de separação dos ativos no pré-sal da Bacia de Campos (Raia Manta e Raia Pintada) e afirmam que os campos devem ser delimitados como apenas um, Raia Manta. Além da Equinor, operadora com 35%, são sócias Repsol Sinopec Brasil (35%) e Petrobras (30%). As implicações são as alíquotas efetivas de participações especiais, uma cobrança exclusiva sobre ativos de concessão de grande produção. A regulação do mercado prevê o uso de critérios contratuais, geológicos, operacionais e econômicos para agrupamento dos reservatórios. E que não será aceita pela ANP qualquer delimitação que, sem considerar esses critérios, “cause redução do pagamento das participações governamentais”. “A Equinor, operadora do Projeto Raia, mantém diálogo constante com a ANP e acompanha as definições relacionadas ao projeto junto à agência”, disse a empresa. Os royalties e participações governamentais entraram no radar do governo Lula diante da crise política provocada pelo quadro fiscal.
Raia será próximo grande produtor de gás natural
O FPSO do projeto Raia terá capacidade para produzir até 16 milhões de m³/dia de gás natural e 126 mil barris por dia de óleo e condensado. É um ativo gasífero, com reservatórios de gás associado e não associado ao petróleo. Raia contará com um sistema inédito no país de tratamento do gás natural em módulos embarcados no FPSO. O combustível chegará especificado na costa brasileira para ser injetado na malha de transporte, sem necessidade de investimentos para ampliar o processamento em terra. É, portanto, a próxima grande fonte de gás natural nacional para o mercado brasileiro, atualmente na casa dos 55 milhões de m³/dia. Os técnicos da agência recomendam a aprovação. Trata-se de um investimento da ordem de US$ 9,6 bilhões ou R$ 52,7 bilhões na cotação de terça (24/6) para conexão de 6 poços ao FPSO e a construção de um gasoduto de 200 km até Cabiúnas, em Macaé (RJ). Os técnicos da ANP recomendam à diretoria a exigência de unificação do campo, com aprovação parcial do plano de desenvolvimento, incluindo a construção do gasoduto, após aval da EPE.
Investimentos
Os investimentos no gasoduto estão estimados entre US$ 1 bilhão e US$ 1,26 bilhão, nas projeções da Equinor e da EPE, estatal de planejamento que deu aval para o investimento. “[EPE] considera que o gasoduto integrante de escoamento do Projeto Raia é compatível com o planejamento setorial e não prejudica o uso eficiente e compartilhado das infraestruturas existentes”, afirma a estatal. Desde a reforma da regulamentação da Lei do Gás, em 2024, a EPE é responsável pela avaliação dos projetos, para alinhar o desenvolvimento do mercado regulado com o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano. Ao avaliar os ativos, a EPE se preocupa com a possibilidade futura de o gasoduto de escoamento de gás natural ter sua capacidade compartilhada em campos de outras empresas, desde que negociado com o consórcio liderado pela Equinor. No curto prazo, a EPE não identificou oportunidades de adensamento da malha da bacia de campos, mas há ativos não explorados com potencial para produção futura de gás natural.
Fonte: Eixos
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