O Grupo Regera, investida da Shift Capital e da Riza Asset, recebeu autorização da ANP para construir uma unidade de produção de biometano. O projeto prevê investimento de R$ 15 milhões, com recursos aportados pelas duas gestoras, e será instalado na sede da Agrindus, no município de Descalvado, no interior de São Paulo. A unidade terá capacidade para tratar cerca de 1.100 toneladas por dia de resíduos orgânicos provenientes da atividade agroindustrial da Agrindus. A partir desse volume, serão gerados aproximadamente 5.300 Nm³ de biogás por dia, resultando em uma produção de 118 Nm³ por hora de biometano. Em equivalência energética, esse volume é suficiente para abastecer cerca de cinco caminhões por dia, considerando tanques de 600 litros, substituindo o uso de diesel. O biometano, ou gás natural renovável, é obtido a partir da purificação do biogás, uma mistura de gases que têm como origem o processo natural de decomposição de resíduos orgânicos em ambientes onde não há troca de ar (a chamada digestão anaeróbica).
Além do impacto energético, o projeto tem viés ambiental. A estimativa é evitar a emissão de 23.470 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. A produção de biometano permitirá substituir mensalmente entre 10 e 15 toneladas de gás liquefeito de petróleo (GLP) atualmente utilizado em caldeiras, reduzindo o uso de combustíveis fósseis. “O que estamos construindo junto à Agrindus é uma referência concreta da nova bioeconomia brasileira, onde os resíduos deixam de ser passivos ambientais e passam a ser insumos estratégicos para descarbonização e geração de valor aos negócios”, afirmou André Holzhacker, CEO e cofundador do Grupo Regera. O plano de negócios envolve não apenas a utilização do biometano na própria operação, mas também a comercialização da molécula no mercado. O projeto inclui ainda a aplicação do digestato (subproduto do processo de biodigestão) como biofertilizante nas lavouras da propriedade. A expectativa é que o modelo possa ser expandido futuramente para aplicações de autoconsumo em frotas e para novos projetos do grupo. A redução estimada de custo com GLP por ano é de aproximadamente R$ 500 mil. Cerca de 15% do biometano produzido será utilizado na caldeira da Agrindus.
Segundo Jorge Jank, CEO da Agrindus, a iniciativa trará ganhos diretos de eficiência energética e redução de custos operacionais à agroindústria. “Deixamos de depender do GLP, tendo o diesel apenas como backup do biogás em períodos de manutenção. A expectativa é reduzir a quase zero o uso de fontes poluentes e caras, para usar um insumo gerado internamente”, disse. “Isso representa uma economia circular significativa, mas principalmente um compromisso com o futuro.” O digestato gerado será aplicado nas áreas agrícolas que produzem a forragem utilizada na alimentação do próprio rebanho da Agrindus, que conta com cerca de 5 mil animais, sendo aproximadamente 2 mil vacas em lactação. A utilização do biofertilizante deve reduzir a dependência de fertilizantes químicos e fechar um ciclo integrado de produção. A produção e a comercialização de biometano no Brasil dependem do aval da agência reguladora para assegurar padrões de qualidade, segurança e confiabilidade, especialmente para a injeção do combustível na rede de gás natural canalizado. Um dos principais requisitos é a pureza mínima de 96% de metano (m/m), garantindo equivalência técnica com o gás natural de origem fóssil. O Brasil tem atualmente 42 empreendimentos em processo de autorização, segundo o Relatório de Autorizações de Biometano da ANP, mas apenas 17 usinas em operação atendem plenamente aos critérios técnicos exigidos.
Fonte: Valor Online
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