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Abradee: mudança no setor de gás cria expectativas por térmicas mais baratas

A promessa do governo de reduzir o preço de gás natural do governo criou expectativas da expansão de térmicas mais baratas nos próximos anos no setor elétrico. Para Marcos Madureira, presidente da Abradee, a fonte poderia dar mais segurança para o setor elétrico em meio ao crescimento de usinas intermitentes, como as eólicas e solares.

A opção está no radar do MME. Em março de 2020, o governo deve realizar um leilão de energia para contratar térmicas a gás. A intenção é que esses empreendimentos substituam usinas movidas a óleo combustível e diesel –cujo contratos vencem em 2023.

“A substituição por uma energia oriunda de uma usina a gás tem ganhos importantes, ambientais e de custos. O [programa] Novo Mercado de Gás traz expectativas boas de que podemos ter uma geração mais barata. A geração térmica dá suporte ao sistema elétrico”, afirmou o executivo em entrevista ao Poder360.

As usinas térmicas são usadas para manter o fornecimento de eletricidade no país, principalmente em épocas de seca, quando as hidrelétricas produzem menos. Segundo dados do MME, a fonte correspondeu a 22,6% do total de energia gerada no país em julho.

Outra opção para garantir segurança ao sistema, segundo Madureira, seria a finalização da construção da usina nuclear de Angra 3. Ele avalia que a taxa de efetividade desse tipo de empreendimento é alta e também tem 1 impacto ambiental menor. O pensamento é alinhado com o da equipe do MME, que defende a retomada das obras.

“É uma usina importante como vemos pelo funcionamento das outras nucleares. Temos investimentos feitos e que precisam ser consolidados. Quanto mais rápido possível acontecer, dará mais equilíbrio para o setor”, disse.

O executivo, no entanto, defende que haja uma discussão no modelo atual da contratação dessas fontes. Representante das distribuidoras, Madureira avalia que a maior parte da oferta das usinas térmicas e nucleares, que são mais caras, é comprada pelas distribuidoras nos leilões de geração. Os consumidores que estão no mercado livre, como as grandes indústrias, fecham contratos mais baratos, como usinas eólicas.

 “Diferente dos consumidores do mercado livre, que optam por energia com custos menores, as distribuidoras compram através dos leilões, energia intermitentes e térmicas. Com isso, o valor fica elevado. Trabalhamos no setor para esse ônus entre os 2 mercados”, afirmou.

Mudanças na geração distribuída

Outra mudança que está no radar do setor de distribuição – que registrou receita bruta de R$ 261 bilhões em 2018– é a mudança nas regras para consumidores que produzem a própria energia. Na 3ª feira (16.out), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a abertura de consulta pública sobre o sistema chamado de “geração distribuída”.

A agência reguladora propõe que os usuários passem a pagar o uso da rede de distribuição e os encargos cobrados na conta de luz. Pelo modelo atual, não há cobranças. Segundo cálculos de Madureira, a manutenção do modelo atual representaria custo de R$ 750 milhões embutidos nas contas dos consumidores que não optam pela geração distribuída.

“É o que falamos há muito tempo: é 1 subsídio dado pelos demais consumidores. A agência propôs regras que permitem que essa geração continue viável. Entendemos que é 1 elemento importante e vamos contribuir para que desenvolva, mas sem causar prejuízos para os demais”, disse.

Os benefícios para o setor de geração distribuída foram definidos em 2015 para estimular a adesão. A avaliação da Abradee é que o setor já está “maduro”. Hoje, são instalados cerca de 300 sistemas por dia, o que resultou no barateamento de 43% nos valores dos painéis solares nos últimos 5 anos.

Essa trajetória de crescimento, segundo Madureira, pode mudar com a extinção dos benefícios. Como levará mais tempo para os consumidores terem o retorno dos investimentos, ele avalia que serão mais cautelosos para adesão. Para ele, no entanto, a aplicação dos novos parâmetros representará 1 crescimento mais “saudável” do modelo para o setor elétrico no Brasil.

 

Fonte: Poder 360

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