Apesar da incerteza que paira sobre as autoridades acerca da renegociação dos contratos de importação do produto, é provável que bons negócios sejam feitos.
Desde o ano 2000, o gás natural tornou-se um dos principais fatores de geração de estabilidade para Mato Grosso do Sul. Se por um lado a importação do produto do país vizinho trouxe uma nova matriz energética para o Brasil, barateando os custos para indústria, comércio e serviços e ainda oferecendo novas possibilidades para geração de calor nas residências e de combustível para automóveis, por outro foi extremamente positiva para os cofres públicos do Estado, que passaram a viver uma estabilidade financeira que, até então, não tinha existido. Foi a receita do gás natural na década de 2000 que abriu caminho para que o governo de Mato Grosso do Sul começasse um período, não interrompido até os dias atuais, de pagamento em dia do salário dos servidores. Foi esse mesmo recurso a mais no caixa do Estado que permitiu que novas fronteiras fossem abertas, asfaltando acesso a todos os municípios.
É inegável a importância do produto nestas duas primeiras décadas para Mato Grosso do Sul. É da mesma forma fundamental que o Estado se posicione da melhor forma possível sobre a mudança de patamar no uso e na importação de gás pelo Brasil. Os tempos agora são outros. Se antes o País pouco produzia o produto, agora tem nas jazidas do Pré-Sal e da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, suas maiores fontes de gás para o consumo interno. É claro que as jazidas da Bolívia ainda são essenciais para alguns mercados, sobretudo, dos estados do Centro-Sul, mas não têm mais o peso de outrora.
É natural que neste momento em que o País sai de uma crise econômica, que levou muita dificuldade para se arrecadar recursos por meio de impostos, que os gestores se preocupem com um futuro incerto. Ao mesmo tempo, é dessa insegurança que podem ser criadas boas oportunidades. A Bolívia não tem muitas opções para vender o gás: seus maiores clientes são Brasil e Argentina, e isso demonstra que talvez poderemos comprar mais, com preços mais atrativos.
Fonte: Correio do Estado (MS) / editorial
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