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Petrobras define estratégia para térmicas

A Petrobras vai aguardar o resultado do seu desempenho no leilão de termelétricas existentes, previsto para 30 de abril, para iniciar a modelagem de venda de seus ativos de geração térmica. O parque termelétrico da estatal faz parte do atual plano de desinvestimentos da companhia, que prevê levantar de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões, até 2024.

O entendimento da Petrobras é que, caso alguns de seus projetos vençam o certame, o valor desses ativos para a venda aumentará significativamente, já que eles passarão a deter um contrato de longo prazo de fornecimento de energia, com preço definido. Na prática, é uma receita fixa garantida por 15 anos.

“Faz parte da nossa estratégia colocar algumas dessas térmicas contratadas [no leilão], para, aí sim, estruturarmos o modelo de venda da nossa empresa de energia, combinando o parque de unidades térmicas em uma empresa de energia, podendo sair via mercado de capitais”, afirmou a diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras, Anelise Lara, durante coletiva de imprensa sobre o resultado da petroleira em 2019, no fim de fevereiro.

“Nossa estratégia é competir no leilão de abril e ter a garantia de contratos firmes para algumas dessas térmicas”, completou ela.

No fim do ano passado, a Petrobras havia contratado o Goldman Sachs para auxiliá-la na venda das térmicas. “Eles vão formatar [o projeto] junto conosco”, disse o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, na ocasião.

Ao todo, a Petrobras inscreveu 13 termelétricas existentes a gás natural no leilão. A companhia também figura na lista de cadastrados com a usina de Araucária (PR), da qual possui 20% de participação, em sociedade com a estatal paranaense Copel (80%).

Segundo Giovani Loss, sócio do escritório Mattos Filho e especialista em petróleo e energia, a decisão da Petrobras de aguardar o resultado do leilão para estruturar o plano de desinvestimento de térmicas é inteligente. Para ele, os principais projetos de venda de ativos da estatal em 2020 são as refinarias e a participação na Gaspetro, subsidiária que reúne os investimentos da petroleira em distribuição de gás natural canalizado.

Outra geradora com estratégia semelhante à da Petrobras é a Engie Brasil Energia (EBE). A companhia inscreveu no leilão o complexo termelétrico de Jorge Lacerda (SC), a carvão mineral. O objetivo também é conseguir um contrato de longo prazo que amplie a atratividade do ativo para ser negociado com potenciais compradores.

“Esse movimento [de incluir a térmica no leilão] foi com a estratégia de tentar alavancar a venda desse ativo”, disse Rafael Bósio, gerente de relações com investidores da EBE, em teleconferência com investidores, em fevereiro. “Se [a usina] for bem-sucedida no leilão, vai ter um contrato de 15 anos. Isso pode melhorar as condições de venda desse ativo”.

A Eletrobras também cadastrou no leilão a térmica a carvão de Candiota (RS). A elétrica avalia disputar o certame para obter um novo contrato de longo prazo e garantir rentabilidade para o projeto. O Valor apurou que a companhia investiu cerca de R$ 350 milhões em uma revisão na usina, que estará descontratada a partir de 2024 e busca novos contratos. “A usina está funcionando muito bem”, disse uma fonte sobre o assunto.

O objetivo do governo com o leilão de abril é substituir um grupo de térmicas a óleo combustível – mais caras e poluentes – que serão descontratadas a partir de 2023, por usinas a gás e carvão. Esses contratos somam cerca de 1.800 megawatts (MW) médios de energia.

O Ministério de Minas e Energia está confiante de que a contratação das usinas a gás e carvão seja na mesma proporção. No mercado, no entanto, há dúvidas se esse volume será alcançado, porque as distribuidoras não tinham certeza se precisariam dessa demanda na mesma proporção, devido à acentuação da migração de consumidores para o mercado livre e da instalação de projetos de geração distribuída a fonte solar fotovoltaica.

O leilão também permitirá a participação de usinas novas a gás e carvão. Na prática, o certame será dividido em dois. Um será do tipo “A-4”, com início de suprimento de energia em 2024. O outro será do tipo “A-5”, com início de fornecimento em 2025.

 

Fonte: Valor Econômico

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