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Petróleo encerra pior trimestre da história com queda acumulada de 65%

O petróleo ensaiou uma recuperação na terça-feira (31/3) depois de mais uma forte queda na véspera. Os números dos índices de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) da China sinalizaram que a atividade do país está sendo retomada após as paralisações pela covid-19 e ajudaram os preços da commodity no início da sessão. A avaliação de que ainda é cedo para acreditar em um reaquecimento rápido da economia do maior importador de petróleo do mundo, porém, diminuiu o ímpeto dos investidores, que seguem temendo uma brusca recessão global.

Os preços dos contratos futuros mais ativos do Brent, que nesta terça passaram a ser os com vencimento em junho, fecharam o dia em queda de 0,26%, a US$ 26,35 o barril, na ICE, em Londres. Já os contratos para maio, que embora negociados em volume bem inferior foram os mais ativos durante praticamente todo o mês de março, terminaram a última sessão do mês praticamente estáveis, com queda de apenas dois centavos de dólar, a US$ 22,74 o barril.

Em março, contudo, os contratos para maio do Brent, a principal referência global da commodity, encerraram o mês em queda de 55%. No primeiro trimestre, encerrado nesta terça, a desvalorização acumulada foi de 65%, a pior perda trimestral desde o início dos registros, em 1988.

A queda trimestral do Brent é da mesma ordem da desvalorização do West Texas Intermediate (WTI), a referência americana negociada na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Apesar da alta de 1,90% do WTI na sessão, a US$ 20,48 o barril, os preços caíram 54% em março e 66% nos três primeiros meses de 2020, anotando também o pior desempenho em um trimestre desde que as negociações de futuros da referência começaram a ser registradas em 1983.

O tombo no trimestre, inclusive, levou os preços de ambas as referências para as mínimas dos

últimos 18 anos. Isso depois que chegaram a ficar perto de US$ 70 por barril no início do ano, quando o general iraniano Kassem Soleimani foi assassinado em um bombardeio dos Estados Unidos no Iraque e as tensões entre Washington e Teerã durante alguns dias levantaram a possibilidade real de uma nova guerra aberta no Oriente Médio.

De acordo com um relatório do centro de estudos Eurasia Group divulgado nesta semana, com a demanda em colapso diante do cenário de recessão global e a oferta aumentando depois que a Organização dos Países Produtores de Petróleo e a Rússia junto com aliados (Opep+) não chegaram a um acordo de corte de produção no início de março, os estoques globais podem atingir a capacidade máxima em semanas, o que exacerba o desequilíbrio entre oferta e demanda – preocupação debatida desde o ano passado.

“Mesmo que a Opep e outros produtores comecem a restringir sua produção novamente em breve, o excesso de oferta resultante da paralisação global é tão grande que a capacidade de armazenamento provavelmente atingirá seu limite no meio do ano”, afirmaram os analistas do Eurasia Group.

Paira neste cenário a esperança de que uma prometida conversa entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, contorne a guerra de preços iniciada pela Arábia Saudita pela indisposição criada pela Rússia com a Opep. Mas analistas alertam para a baixa expectativa de sucesso nessa empreitada.

 

Fonte: Valor Online

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