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Enauta vende para Gas Bridge sua participação em Manati

A Enauta anunciou a venda para a Gas Bridge de sua participação de 45% no campo de gás natural de Manati, em águas rasas da Bacia de Camamu, na Bahia. A operação, que pode chegar na casa de R$ 560 milhões, ainda depende de uma série de condições precedentes e estimativa é que sua conclusão possa acontecer até 31 de dezembro de 2020.

Manati é uma das duas fontes de receita da Enauta, que também opera o campo de Atlanta, em águas profundas da Bacia de Santos. A empresa informou que o fluxo de caixa referente ao Campo remanescerá com a Enauta até 31 de dezembro de 2020.

A Gas Bridge é uma sociedade criada por João Carlos de Luca, ex-diretor da Petrobras e ex-presidente do IBP, Marco Tavares, fundador da Gas Energy, e Esteban Papanicolau, que foi líder do desenvolvimento de novos negócios da Nova Gas International e da TransCanada Pipelines no Cone Sul nos anos 90. É a entrada da empresa em ativos de produção de gás.

A empresa tem como investidora Lorinvest, gestora de recursos que investe no desenvolvimento de negócios em navegação e logística (Norsul); ativos florestais (Norflor); fintech (Target), soluções financeiras (Akron Capital); e tecnologia industrial (Hankoe FIP).

O CEO da Enauta, Lincoln Guardado, participou da epbr offshore week, realizada entre 22 e 29 de junho. Junto com Nathan Biddle, da Premier Oil, conversou sobre os impactos da covid-19 nas operações de empresas independentes do offshore brasileiro.

Busca por gás boliviano

A Gas Bridge também tem se movimentado para trazer gás boliviano para o Brasil. A empresa, junto com a Compass, do grupo Cosan,  foi habilitadas pela TBG na segunda chamada pública para contratação de capacidade de transporte do Gasbol (gasoduto Bolívia-Brasil). São ofertadas capacidades de 10,08 milhões de m³/dia (entrada em Corumbá, MS) e 16,43 milhões de m³/dia (saída).

A chamada foi aberta a partir da renúncia de capacidade da Petrobras, acordada com a ANP no fim do ano passado. O gás natural é fornecido pela YPFB, estatal da Bolívia.

Na última semana, a ANP resolveu, contudo, reiniciar a chamada pública e cancelou tudo havia sido realizado até o momento. A agência alegou que recebeu solicitações de agentes, que relataram dificuldades para finalização e assinatura dos contratos de suprimento de gás durante a pandemia do Covid-19 na Bolívia A decisão, diz o órgão regulador, foi tomada por conta da necessidade de se manter condições isonômicas a todos os agentes interessados em participar da chamada pública.

Em agosto do ano passado, a estatal boliviana YPFB assinou um memorando de entendimento com a  Gas Bridge para entregar 4 milhões de m³/dia entre 2020 e 2025 e a criação de uma joint-venture para comercializar GNL.

Pelos termos do acordo, Gas Bridge e a YPFB vão estudar a formação de uma sociedade para instalar pequenos terminais de GNL no Brasil, com 1 milhão de m³/dia de capacidade. A primeira unidade em 2022 e a segunda em 2023, consumindo metade da vazão de 4 milhões de m³/dia. Com os 2 milhões de m³/dia adicionais, a ideia é abastecer um cliente, não anunciado, da Gas Bridge no Brasil.

Petrobras também quer sair de Manati

Quem também pretende deixar o consórcio que produz gás natural em Manati é a Petrobras. A empresa anunciou em maio que colocou à venda sua participação de 35% no projeto, que teve em 2019 produção média de 1,2 milhão de m³/dia e 105 barris por dia de condensado.

O teaser divulgado pela Petrobras para a venda do campo de Manati informa que o acordo feito pela estatal com o Cade (TCC) para a abertura do mercado de gás natural restringe a aquisição de volume superior a 1 milhão de m³/dia de gás natural pela estatal.

Manati chegou a produzir 4,5 milhões de m³/dia de gás natural em 2019, além de 400 barris/dia de condensado. A compra de 35% da Petrobras no campo dependerá de um contrato para comercializar essa produção potencial de 1,5 milhão de m³/dia (na média, foi de 1,3 milhão de m³/dia em 2019).

Também em maio, a Petrobras notificou suas sócias no campo sobre a intenção de reduzir o volume de gás natural previsto no contrato, que conta com uma cláusula de take-or-pay.

A Petrobras alegou força maior, dada a queda na demanda por gás, energia e combustíveis no mercado brasileiro, em meio à crise de coronavírus.

“A Enauta não concorda com os argumentos apresentados na notificação e analisa as alternativas que dispõe para evitar e/ou mitigar os riscos que tal medida por parte da Petrobras pode acarretar nos seus negócios”, informou a companhia na época, em nota.

Fonte: Epbr

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