O grupo de energia Golar pode ter que ficar de fora da disputa de um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) na Bahia, colocado à venda pela Petrobras. A estatal já tinha pré-qualificado dez empresas para a disputa, incluindo uma subsidiária do grupo Golar, a Golar Power Latam Serviços Marítimos Ltda. A previsão é que o resultado do certame saia esta semana.
A Golar é dona de metade da Hygo Energy, que tem seu presidente investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de esquema de propina envolvendo justamente a Petrobras. A investigação do MPF se refere ao período em que Eduardo Antonello era executivo de outra companhia do setor de óleo e gás, a Seadrill.
Em nota na semana passada, a Golar informou que não há ligação entre a investigação e serviços prestados para sua controlada, mas que faria uma investigação interna para assegurar que todas as operações envolvendo a companhia e o executivo citado tinham seguido suas regras de compliance.
Ainda assim, uma fonte próxima à empresa ouvida pelo Valor entende que a companhia pode esbarrar em regras de compliance da Petrobras, estabelecidas para tratar o relacionamento da estatal com empresas e executivos com alguma conexão com a Lava-Jato. “A Golar não está sob investigação do MPF, mas já tem que lidar com algumas questões decorrentes dessa operação”, ressaltou a fonte.
As ações da empresa na Nasdaq já caíram quase 40% desde a quarta-feira passada e dois escritórios de advocacia americanos estão chamando investidores para uma ação coletiva contra a Golar. Antonello presta serviço à Hygo por meio da Magni, empresa em que é sócio de Tor Troim, diretor da Golar.
O processo de arrendamento do terminal de GNL da Bahia foi iniciado pela Petrobras no fim do ano passado e, em agosto deste ano, a estatal publicou o edital de licitação. As outras empresas na disputa são Gás Natural do Brasil, Bahiagás, Repsol, BP Energy, Compass, Total, Shell, Excelerate Energy e BG. O terminal na Bahia é um píer do tipo ilha para atracação e amarração de navio FSRU (Floating Storage and Regasification Unit), com um gasoduto associado com 45km de extensão.
Fonte: Valor Online
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