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Copersucar e Geo farão combustível de aviação a partir de biometano

A Copersucar e a Geo Biogas & Tech decidiram unir forças para produzir biocombustível de aviação (SAF) a partir de biometano. A ideia é dar mais um destino aos resíduos agroindustriais das usinas de cana e ingressar em um mercado tão novo quanto promissor, uma vez que há políticas em vários países que estabelecem um rápido aumento do uso do renovável. As empresas acertaram a criação de uma joint venture, com 50% de participação cada, por meio da entrada da Copersucar no capital de uma subsidiária da Geo Biogas & Tech. A nova empresa já se prepara para construir neste ano uma primeira planta em escala “demo-industrial” e com atuação comercial, para em seguida construir uma planta em escala comercial. “A parceria com a Geo casa com o momento que estamos, de aproveitar toda a potencialidade da escala que a Copersucar tem, a base de biogás e biometano que o Brasil pode desenvolver, com uma rota adicional para atender as demandas de descarbonização da indústria de aviação”, disse Tomás Manzano, CEO da Copersucar.

As empresas mantêm os valores, ainda não totalmente fechados, sob sigilo. Mas dizem que o aporte na planta demo-industrial ficará na casa das “dezenas de milhões” de reais, enquanto a planta industrial pode ficar na casa das “centenas de milhões”, segundo Alessandro Gardemann, CEO da Geo Biogas & Tech. O local da primeira unidade ainda não foi definido. A joint venture produzirá, através do método Fischer–Tropsch (FT), que converte gases em líquidos, o querosene parafínico sintético (SPK). O produto depois irá para uma refinaria convencional para ser transformado no bioquerosene de aviação. É o segundo investimento em SAF a partir de biogás no Brasil. A primeira planta foi inaugurada na semana passada pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) em Foz do Iguaçu (PR), em escala de demonstração. A planta demo-industrial da joint venture entre Copersucar e Geo, que deve levar 12 meses para ser erguida, terá capacidade de produzir 200 mil litros de SAF ao ano. Para a planta industrial, as sócias estudam unidades modulares com capacidade de 50 milhões de litros por ano — volume ainda sob avaliação. A capacidade é menor que outras plantas de SAF, mas a lógica é ter estruturas menores capazes de usar a disponibilidade de biometano de cada usina.

Para a produção de 1 litro de SAF serão necessários 1,4 metros cúbicos de biometano. No ano passado, a produção global de SAF foi de 1,9 bilhão de litros.

Questionado, o CEO da Geo não comentou custo de produção nem perspectiva de retorno, mas disse que o SAF de biometano “está no jogo”. Como o produto terá origem na vinhaça e na torta de filtro, que depois são transformados em biometano, ele acredita que a empresa acessará mercados que valorizam SAF de resíduos, como a Europa. Gardemann aposta também na baixa pegada de carbono do produto. A estimativa da empresa é que o SAF de biometano emita 10 gramas de CO2 equivalente por megajoule (MJ) de energia gerado, em comparação a 90 a 100 gramas de CO2/MJ do querosene fóssil. Além de a matéria-prima ser oriunda de resíduos, a energia e o vapor serão feitos da biomassa da cana, o que mantém as emissões em baixa. Nos EUA, é elegível ao mandato o SAF com ao menos 50% de redução de emissões, sendo que cada 1% de redução adicional é valorizado. Os executivos também veem demanda no Brasil, já que o PL Combustível do Futuro, em discussão no Congresso cria um mandato para SAF. “Demanda é o que não falta”, disse Manzano. Para viabilizar os investimentos, a joint venture procurará financiamentos e um comprador garantido. “A ideia é ter uma estrutura eficiente e usar os instrumentos disponíveis”, acrescentou. A joint venture poderá construir plantas de SAF em qualquer usina, não só associadas à Copersucar, ainda que suas associadas tenham planos para o ramo. “Temos planos de expandir a produção de biogás nas usinas do ecossistema da Copersucar”, afirmou Manzano. O mercado de SAF começou a chamar a atenção do setor sucroalcooleiro com a inauguração neste ano da primeira planta de bioquerosene feito de etanol (ATJ). Na Copersucar, duas usinas estão certificadas para fornecer para essa rota e mais dez devem ser certificadas nesta safra.

Fonte: Valor Econômico / Globo Rural

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