O gás natural deve desempenhar um papel central na transição energética do estado de São Paulo, funcionando como um “combustível ponte” para garantir a segurança de fornecimento e preparar a entrada mais robusta do biometano na rede. A conclusão foi apresentada em reunião do Plano Paulista Decenal de Energia 2034 (PPDE 2034).
O plano indica que a geração de energia a partir do gás natural no estado deve saltar de 92 MW médios em 2025 para 457 MW médios em 2034.
O primeiro degrau do crescimento deve ser percebido entre 2028 e 2029, com o uso para a geração de energia elétrica saindo de 99 MW médios para 263 MW médios; depois em 2032, com o suprimento saindo de 276 MW médios para o patamar de 447 MW médios.
Esse aumento deve estar diretamente relacionado à captura e armazenamento de carbono (CCS) então, embora exista um aumento expressivo do gás natural, o estado não projeta um aumento das emissões. Hoje o mercado estadual de gás natural representa 30% de toda a distribuição do país, com mais de 70% do volume destinado a clientes industriais – sendo que mais de 30% desses clientes já migraram para o mercado livre.
“Não existe transição energética no estado de São Paulo sem infraestruturas para o gás natural”, disseram especialistas durante o encontro.
SAF no estado de São Paulo
Durante encontro do PPDE 2034, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Margareth Pavan, gerente de Transição Energética da InvestSP, afirmou que o estado é capaz de produzir combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do biogás da biomassa sucroenergética e do biometano.
“Temos oportunidade de ampliar a base produtiva de biocombustíveis e valorizar a economia circular, aproveitando os resíduos como matéria-prima”, destacou a gerente da InvestSP.
O combustível está no foco das empresas. A Embraer já anunciou que deve intensificar os testes para que até 2030 seus aviões possam operar apenas com SAF. O objetivo é perceber como os materiais não metálicos, principalmente, reagem com o biocombustível de maneira persistente.
Transporte e emissões
Também presente na reunião, Rafael Herrero Alonso, doutor em Engenharia Elétrica pela Poli-USP, apresentou o panorama da frota estadual sobre a descarbonização do transporte em São Paulo. Segundo levantamento da universidade, 29% das emissões de carbono do estado são de responsabilidade do setor de transporte.
Desses 29%, 87% são do grupo rodoviário, 11% do aéreo e 2% do ferroviário. Do total das emissões previstas para o segmento rodoviário, 75% dos automóveis necessitam de combustíveis fósseis para o funcionamento.
Como solução, Rafael Alonso recomendou o uso de biometano em caminhões de coleta de resíduos e frotas ligadas ao setor sucroenergético, além da expansão da eletrificação de veículos leves, comerciais urbanos e ônibus municipais.
No transporte público, a prioridade é a eletrificação da frota de ônibus urbanos e a utilização do biometano em trajetos intermunicipais e rodoviários.
O doutor ressalta que o avanço da frota elétrica é outro pilar central, já que São Paulo concentra um terço dos veículos eletrificados do país e 33% dos pontos de recarga: “São Paulo tem liderado essa venda de veículos elétricos conectados”.
Fonte: MegaWhat
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