Um dia depois da senadora Jeanine Áñaez ter assumido a Presidência da Bolívia, a turbulência continuou no país e começou a afetar o setor de gás natural. Nesta quarta-feira (13) um grupo invadiu um campo e interrompeu o envio de gás pelo gasoduto que abastece La Paz, Oruro e Cochabamba. O incidente não afetou o envio de gás para o Brasil, cujo abastecimento vem de Tarija, no sul.
O envio de gás para o Brasil está normal, mas não livre de riscos, já que a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) alertou o país e a Argentina sobre interrupções por “força maior”.
O gasoduto Carrasco-Cochabamba parou de operar na noite de terça-feira (12) por inesperada queda de pressão. A YPFB, no entanto, afirmou que desconhece os motivos. O gasoduto fornece gás natural para Cochabamba, Oruro e La Paz.
“O campo foi tomado e a estação de compressão local foi desligada. Quanto isso acontece, o gasoduto fica sem pressão para manter o fluxo de gás”, afirmou uma fonte do setor de gás que não quis se identificar. “Esse caso não teria como afetar o fornecimento para Brasil e Argentina, já que esses países dependem de campos mais a oeste, como os de Santa Cruz, e mais ao sul, como Tarija”. A maior parte dos gasodutos é bem protegida, mas não são completamente impenetráveis, pois encontram-se em regiões ermas do país, afirma Roberto Laserna, do Centro de Estudos da Realidade Econômica e Social, em La Paz. “O risco de outros gasodutos serem atingidos, portanto, existe”.
Na noite de segunda-feira (11), a YPFB enviou à Petrobras um comunicado informando que poderia ocorrer eventuais atrasos no envio “por força maior”. A estatal brasileira disse, no entanto, que “não há impacto no suprimento de gás natural da Bolívia” para a empresa.
A TBG, que tem a Petrobras como acionista majoritária e opera o gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), disse, na terça (12), que o “duto vem operando normalmente com gás natural recebido da Bolívia, utilizando, inclusive, a sua capacidade máxima de transporte”. Segundo a TBG, os volumes diários programados de gás natural para os pontos de entrega nos Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão normais.
Fonte: Valor Online
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