O ano de 2026 é considerado decisivo para se alcançar os avanços esperados no mercado de gás, na avaliação do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ao destacar em evento da entidade que o Brasil – e, em especial, o Rio de Janeiro – reúne condições únicas para ampliar a oferta, reduzir custos e fortalecer a competitividade da sua indústria.
Em evento de lançamento da 8ª edição do relatório “Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026”, o presidente da federação das indústrias do estado maior produtor de gás do país, com 75% de produção em 2025, destacou que transformar produção em desenvolvimento exige escolhas bem fundamentadas e diálogo permanente entre o setor público, a indústria e os demais agentes do mercado.
Segundo Caetano, o gás é um importante aliado para a segurança energética e a abertura do setor, a evolução regulatória, as mudanças no regime tributário e a necessidade de ampliar e otimizar a infraestrutura colocam o gás no centro das decisões estratégicas para o desenvolvimento econômico.
Presente no evento, o secretário Nacional substituto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Marlon Arraes, exaltou a importância da publicação da Firjan, que cumpre um papel essencial de organizar as informações e qualificar o planejamento energético. “A transparência de dados bem tratados, diagnóstico consistentes e diálogo institucional são condições essenciais para a construção de políticas públicas estáveis previsíveis e eficazes. E é exatamente isso que permite atrair investimentos, reduzir custos, ampliar o uso do gás natural e integrá-lo de forma inteligente à agenda de transição energética, incluindo o avanço do biogás do biometano.”
A apresentação da 8ª edição do estudo “Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026″ foi feita por Savio Bueno, gerente de Cenários de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan. “Entre os conteúdos da publicação, a federação apresentou uma análise do gás natural como um vetor de desenvolvimento industrial a preços competitivos, destacando a importância da busca por equilíbrio entre menores preços aos consumidores e remuneração adequada aos investimentos ao longo da cadeia”, afirmou.
No painel que tratou do tema “Tributação: reforma, modelos e incentivos”, o especialista de Petróleo, Gás, Naval e Energias da Firjan, Guilherme de Castro e Souza, ressaltou que o mercado do gás tem passado por um novo paradigma, resultado da abertura, das modificações regulatórias, do novo modelo tributário que vai ser implementado, das novas infraestruturas que vêm sendo implementadas ou até mesmo dos novos modelos de negócio”.
No painel sobre “Infraestrutura de negócios: novos rumos para a transformação”, especialistas destacaram que, embora o mercado de gás natural tenha avançado nos últimos anos, o equilíbrio entre regulação, investimentos e competitividade continua sendo o principal desafio para garantir segurança jurídica, atração de capital e expansão sustentável da infraestrutura no Brasil.
Bruno Chedid, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho, destacou a importância do diálogo entre os diferentes agentes do mercado, para se entender como decisões impactam diretamente os investimentos e a competitividade do mercado. “O diálogo entre usuários, transportadores, reguladores e investidores é essencial para que o mercado avance de forma equilibrada e sustentável”, acrescentou.
Participante do painel, a presidente do Conselho de Usuários Representante dos Carregadores de Gás Natural (CdU), Sylvie D’Apote, afirmou que o momento é particularmente sensível para o setor. “O gás natural não tem mercado cativo, ele compete com outros energéticos. Para não ser substituído, precisa chegar ao consumidor final de forma competitiva, sem ser excessivamente onerado pela infraestrutura”, ressaltou.
Segundo D’Apote, o Conselho criado a partir da Nova Lei do Gás tem como objetivo defender pautas que envolvem tarifas, investimentos e regulações em um mercado que, a seu ver, ainda está em abertura e amadurecimento. Ela lembrou que, em 2025, a ANP iniciou a revisão das regras e metodologias tarifárias para os próximos ciclos regulatórios. Essas decisões vão impactar não apenas o período de 2027 a 2030, mas também os ciclos futuros.
O painel de encerramento, moderado pela gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, abordou os desafios da transição energética, o papel estratégico do gás natural e a urgência de ampliar investimentos para garantir segurança energética e competitividade industrial.
A executiva ressaltou que o país ainda enfrenta uma grande demanda reprimida por energia. “Temos ainda muito Brasil para construir e, para isso, precisamos de muita energia, de forma sustentável, mas também acessível para a indústria, que é uma das principais consumidoras”, afirmou.
Participante do painel, a diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, destacou que o gás natural segue como elemento central na transição energética brasileira. “A transição acontece por adição. O Brasil vai continuar precisando de muita energia até 2050, e isso inclui gás e petróleo, ao mesmo tempo em que avançamos em bioprodutos e fontes renováveis”, afirmou.
Segundo ela, manter a participação atual da Petrobras na matriz energética exigirá investimentos expressivos. “Para continuarmos representando cerca de 30% da matriz primária em 2050, precisamos praticamente dobrar a nossa capacidade energética”, explicou.
A vice-presidente de Estratégia, Desenvolvimento de Negócios e MMP da Equinor, Claudia Brum, reforçou no painel o compromisso da companhia norueguesa com o Brasil. “O Brasil é um mercado estratégico para a Equinor. Temos uma previsão de investir cerca de US$ 25 bilhões até 2030, com projetos que trazem volumes relevantes de gás e óleo, além de geração de empregos e desenvolvimento tecnológico”, destacou.
Ela citou projetos como os campos de Raia e Bacalhau, exemplos de iniciativas que fortalecem a segurança energética e ampliam a longevidade do portfólio da empresa no país. A vice-presidente destacou ainda os desafios operacionais do mercado de gás.
“O mercado já está aberto, mas é extremamente complexo. O custo transacional para operar gás natural ainda é muito alto, o que afasta consumidores que gostariam de migrar para o mercado livre”, avaliou. Para ela, a simplificação regulatória é essencial. “Há muita criatividade e novos produtos surgindo, mas precisamos reduzir a complexidade para viabilizar mais entradas”, completou.
Sobre descarbonização, a executiva da Equinor ponderou que o cenário internacional impõe limites. Na sua avaliação, com um contexto geopolítico desafiador, em que governos precisam equilibrar segurança energética, preço acessível e sustentabilidade, nem sempre é simples definir quem paga a conta da transição.
Fonte: PetróleoHoje
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